Presidente da CBM, Firmo Alves, fala ao BRMX sobre 2012 e planos para 2013 – parte 2

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A Copa das Federações ainda é promessa no governo de Firmo Alves – Ilustração: Ed Carlos / BRMX

 

O BRMX publica nesta sexta-feira, 12, a segunda parte da entrevista com o presidente da Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) Firmo Henrique Alves. A primeira parte você confere aqui.

Leia com atenção!

 

BRMX: Carlinhos Romagnolli, CEO da Romagnolli Promoções e Eventos, promotora da Superliga Brasil de MX e do GP Brasil do Mundial de Motocross, propôs publicamente uma parceria com a CBM para que a empresa dele organizasse o Brasileiro de Motocross. Por que esta parceria não evoluiu?
Firmo Alves: A CBM foi fundada em 1948 (não se tem um registro preciso). Conforme informações, a CBM vem realizando o Campeonato Brasileiro de Motocross ha mais de 50 anos. A parceria não se concretizou em razão do motociclismo não ser favorecido com ela. A proposta feita pela Romagnolli Promoções e Eventos, infelizmente não era positiva para a CBM e muito menos para o Campeonato Brasileiro de Motocross. Uma proposta que tem interesses comercias privados comandando praticamente toda a parte promocional e técnica do campeonato de MX, nunca será saudável para entidade.

Cito como exemplo o GP Brasil de MX. Quem indica o Clerk of the Course (diretor de prova), diretor médico, diretor de vistoria técnica (três pessoas) e outros é a CBM, e mais algumas funções que são feitas por diretores da FIM. Cabe a Romagnolli Promoçõoes e Eventos e a YS (Youthstram) toda a parte promocional. Uma proposta similar que gostaríamos de ter recebido, e é esse tipo de proposta que estamos buscando.

 

BRMX: A CBM contratará uma empresa especializada na organização de eventos para realizar o Brasileiro de Motocross 2013?
Firmo Alves: Quero profissionalizar cada vez mais o esporte, para isso será necessário contrairmos parcerias com empresas e pessoas capacitadas tecnicamente, cada qual na sua função. Estou conversando com algumas empresas e creio que isso acontecerá naturalmente, porém, somente na parte promocional. A parte técnica será feita por pessoas capacitadas diretamente pela CBM. Seguiremos o modelo da FIM e da Youthstream.

 

BRMX: Voltemos ao passado. No fim de 2011, o senhor assumia a presidência da CBM e falava em fazer um campeonato de federações ao final do ano. Em 2012, isso ainda não aconteceu. Pode ser realizado até dezembro ou é algo que vai ter que esperar 2013?
Firmo Alves: O meu projeto de gestão é um projeto de metas a ser implantado ao longo da minha gestão e mesmo depois, pelo meu sucessor. Algumas pessoas são imediatistas e desconhecem como assumi a entidade. Outras são maldosas e pessimistas e umas poucas “desfrutavam” de interesses financeiros dentro da CBM e foram “cortadas” pelo bem do esporte. Pelos motivos citados, críticas virão.

A CBM não recebe nenhum tipo de verba pública. “Sobrevive” de seus patrocinadores. Esse evento foi oferecido para algumas federações sediarem, porém nenhuma delas conseguiu viabilizá-lo. O que conseguimos fazer, sem solicitar mais verba aos nossos patrocinadores, foi o Brasileiro Amador, que seria junto com a Copa das Federações, na última etapa, em Dourados, que por sinal foi um grande sucesso. Isso está no meu projeto para os meus quatro anos e pretendo implantá-lo o quanto antes.

 

BRMX: Quais os patrocinadores confirmados para o Brasileiro de Motocross 2013?
Firmo Alves: Em respeito aos nossos patrocinadores, faremos a divulgação oficial no dia 13 de dezembro, na Festa do Campeões.

 

BRMX: Existe algum projeto de ajuda de custo para os pilotos melhores ranqueados, que correm todas as etapas do Brasileiro MX?
Firmo Alves: Já oferecemos a premiação aos pilotos, que nada mais é que uma ajuda de custo. Porém, estamos estudando várias formas de melhorarmos essa ajuda, seja através de mais dinheiro, mídia nas provas ou de transporte para algumas etapas. Tenho ciência de que muitos pilotos têm inúmeras dificuldades para poder participar de todo o campeonato. Estou sensibilizado com essa causa e quero poder ajudar cada vez mais aos nossos pilotos.

 


 

BRMX: 2012 foi o ano dos estrangeiros no BrasileiroMX. Carlos Campano e Adam Chatfield brigaram até a última etapa pelo título. A participação deles trouxe evolução técnica, mas trouxe desentendimentos também e alguns brasileiros ficaram, inclusive, sem equipe. A CBM pensa em criar uma regra para contratação de estrangeiros? Se essa regra já existe, por favor, explique como ela funciona?
Firmo Alves: Olha… Esse é um assunto bastante delicado, depende da ótica e do interesse que você tem. O motocross brasileiro só cresceu com a vinda dos americanos na década de 80. Na minha opinião, esse intercâmbio é saudável aos pilotos.

O Ayrton Senna, considerado o maior ídolo esportivo do Brasil, foi campeão inglês de formula 3 antes de ser três vezes campeão do mundo de Fórmula 1. O Jorginho Balbi, que é o melhor brasileiro classificado em nosso campeonato, é na atualidade o brasileiro que mais participa de provas fora do país. Outros exemplos são o Enzo Lopes e o nadador brasileiro Cesar Cielo, que reside nos EUA.

A Comissão Nacional de MX decidirá o que deverá ser exigido dos estrangeiros em 2013, mas eu penso que se queremos ter pilotos brasileiros de nível internacional, a forma mais barata é termos alguns estrangeiros aqui dentro ensinando aos nossos novos pilotos as suas técnicas.

Se tivermos um campeonato forte, bem divulgado, todos os pilotos brasileiros terão emprego garantido e é para isso que estou trabalhando. 2013 tem tudo para isso acontecer. O pior já passou, os ajustes já foram feitos, pessoas já foram capacitadas e já provamos aos patrocinadores que o custo benefício de se investir no Brasileiro de Motocross é extremamente viável e compensador.

 

BRMX: A XTV, que transmitiu a etapa de Foz do Iguaçu ao vivo pela internet, foi uma iniciativa privada do BRMX e da X Motos que se mostrou capaz de levar o Brasileiro de Motocross ao vivo para todos os cantos do mundo. A CBM não teria condições de realizar algo parecido?
Firmo Alves: A CBMTV será criada para isso. O tamanho que ela ficará, isso nem eu sei dizer, mas posso imaginar o benefício que ela irá trazer ao motociclismo brasileiro.

 

BRMX: Explique melhor o que será CBMTV?
Firmo Alves: A princípio ficaremos somente no motocross, mas a intenção é ir para todas as modalidades. Quero transmitir tudo sobre o motocross, entrevistar todos os pilotos, conversar com seus patrocinadores, reportagens especiais, bastidores, treinos, todas as corridas de todas as modalidades, mostrar todos os pódios. O objetivo é a transmissão ao vivo, mas começaremos com calma. O importante é fazer bem feito, ir aprimorando esse trabalho ao longo do tempo.

BRMX: O regulamento do Brasileiro de Motocross segue o mesmo de 2012 para 2013?
Firmo Alves: Cada corrida aprendemos um pouco mais, alterações importantes e positivas já ocorreram de 2011 para 2012. Com o sucesso alcançado pelo Brasileiro Amador na prova de Dourados, ele será realizado em mais algumas etapas. Algumas mudanças virão. O regulamento foi elaborado pela Comissão Nacional de MX e ainda teremos algumas reuniões para finalizá-lo. Será divulgado oficialmente no dia 13 de dezembro.

 

BRMX: Em dezembro passado, o senhor falou que a CBM precisava “limpar” suas contas com o Ministério dos Esportes. Como está esta situação?
Firmo Alves: De tempos em tempos tenho uma “nova surpresa” na CBM. Uma delas é que tomei ciência de que a CBM está inadimplente junto ao ME por conta da má prestação de contas em cinco convênios. Têm dois caminhos de resolver essa situação: pagamos ou “entramos” com uma ação judicial de prestação de contas em quem foi o responsável (presidente) na época por não ter prestado contas corretamente.

Como a CBM não tem dinheiro para isso e também não acho justo pagarmos por erros que não foram cometidos pela minha gestão, já entrei com quatro processos na Justiça Federal contra o Lincon (Lincon Miranda Duarte, presidente da CBM por três mandatos, até sua destituição em 2007) e devo entrar com mais um contra ele e mais um contra o Caravana (Alexandre Caravana, presidente da CBM entre 2007 e 2011, quando também foi destituído do cargo). Não tenho nada pessoal contra o Lincon e dois meses após tomar posse, no mês de outubro de 2011, avisei ele pessoalmente sobre isso, e solicitei a ele que providenciasse essa regularização.

Cabe aos ex-presidentes fazerem os devidos esclarecimentos junto ao ME para que essa situação se regularize. Processando os responsáveis diretos (ex-presidentes), provo ao Governo Federal que não sou nem cúmplice e nem conivente com esses atos passados e automaticamente o ME retira o nome da CBM da inadimplência.

 

BRMX: Falando em contas, como está a saúde financeira da CBM?
Firmo Alves: Assumi a CBM falida. Devia cerca de R$ 200.000,00 no banco, inúmeras dívidas com empresas e com prestadores de serviços, inúmeras ações judiciais, inclusive de ex-funcionários da empresa do Caravana que se intitulam perante a justiça do trabalho como funcionários da CBM, sem sede, sem mobiliário, sem computadores e com somente um funcionário.

Após um ano, a CBM não deve nada a nenhum banco, tem todas as suas dívidas quitadas, montei uma sede, mobiliei essa sede com móveis e utensílios de primeira qualidade. Informatizei todas as salas com equipamentos novos e fecharei o ano de 2012 já com o saldo bancário positivo. Na minha prestação de contas mostrarei todos os comprovantes fiscais, todos os extratos bancários e cópias dos cheques e, mesmo sem ter nenhum tipo de obrigação, colocarei o meu sigilo bancário e fiscal junto da prestação contas. Entrei na CBM pela porta da frente e será por ela que sairei.

 

Entrevistas:

>>> Firmo Alves: o futuro do motocross brasileiro – Parte 1
>>> Firmo Alves: o futuro do motocross brasileiro – Parte 2