ENTREVISTA: Tony Cairoli comenta experiência no Brasil e mudanças no Mundial de Motocross

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Cairoli ganhou as duas baterias no Brasil – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

Quando o BRMX deu a notícia de que Antonio Cairoli viria ao país para disputar a Copa Brasil de Motocross, muitos apostaram que seria uma “barrigada”, que no jargão jornalístico significa uma “matéria falsa ou errada de grande repercussão”. Mas o italiano desembarcou em terras tupiniquins, correu a etapa, trouxe emoção aos fãs, distribuiu autógrafos e selfies e, de quebra, concedeu entrevista ao BRMX.

A KTM Brasil, responsável pela vinda do atleta, organizou um encontro do piloto com alguns membros da imprensa especializada. Em particular e por cerca de 15min, sentados na parte traseira do motorhome do brasileiro Enzo Lopes, Tony e eu conversamos sobre alguns assuntos pertinentes, como as mudanças no Mundial para 2016, e outros mais banais, como seus planos pessoais a respeito de filhos e casamento.

Solícito, atencioso, simpático e sincero, TC222 atendeu ao chamado toda vez que foi requisitado. Impossível controlar a mente e não voltar no tempo, para quando fomos à Argentina, e fazer um comparativo com o momento da entrevista Ryan Villopoto, que foi bem mais difícil de conseguir – relembre aqui. Claro que RV estava em outro momento, durante uma corrida que importava para ele, diferente de Tony no Brasil, aonde estava a passeio.

Além da entrevista em particular, houve um momento de coletiva de imprensa e mais algumas perguntas depois da corrida. Abaixo você confere um trecho em vídeo (editado para a imprensa europeia) e lê a entrevista na íntegra.

Aproveite!

 

BRMX: Como surgiu a ideia de vir ao Brasil. Foi tua ideia ou foi ideia da KTM Brasil?
Tony Cairoli: Foi ideia da KTM, mas eu também gostaria de vir ao Brasil porque tenho alguns fãs aqui e sempre tem uma atmosfera muito legal.

BRMX: Essa corrida já faz parte da tua pré-temporada?
Tony Cairoli: Não, ainda não porque estou no tempo de parada neste momento, geralmente não piloto em outubro. Mas, como tive uma lesão, fiquei parado em junho, julho, agosto, então estou quase na hora de recomeçar (os treinos). Vou continuar pilotando (de agora em diante).

BRMX: Já estão testando algumas peças ou algo parecido?
Tony Cairoli: Em novembro vamos começar com os testes, não realmente treinos, mais testes mesmo. E em dezembro começo o programa de treinos para a temporada que se estende até outubro (de 2016).

BRMX: Vai continuar de 450 ou volta para a 350?
Tony Cairoli: Sigo de 450.

BRMX: Neste fim de semana, você anda de 350. O que você trouxe para melhorar a moto?
Tony Cairoli: Esta moto (que correu a Copa Brasil) é original. Só trouxe a suspensão, mas o motor é todo original. O principal motivo de estar aqui é me divertir na pista, encontrar os fãs sem pressão.

BRMX: Você gostou da pista de Santa Catarina?
Tony Cairoli: A pista me pareceu legal. Achei que estaria mais enlameada, mas secou rápido. O solo é bem macio, criou muitas canaletas profundas, ficou bastante técnica, e eu gostei. No sul da Itália, onde eu vivo, existem pistas como esta. Me lembra de corridas que eu fazia anteriormente.

BRMX: Você conhece os pilotos que estão aqui? Como você acha que eles vão disputar contra você?
Tony Cairoli: Eles estão em forma, competindo o ano todo. É o campeonato deles, então eles têm mais interesse na corrida que eu. Eles devem vir fortes, mas esta é minha primeira corrida desde Glen Helen (EUA) e, antes de Glen Helen eu tinha pilotado apenas duas vezes, então desde junho estou a maior parte do tempo fora da moto. Não sei das minhas condições, 30min é um tempo longo de corrida, e não quero correr muitos riscos. Mas corrida é sempre corrida. Depende muito da largada, de como a moto original se comporta.

 

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Dois mecânicos europeus vieram ao Brasil acompanhando TC222 – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

BRMX: Como está seu braço (após lesão sofrida na oitava rodada do Mundial MX)?
Tony Cairoli: O braço está bom, apenas perdi um pouco de músculos. Ainda estou fazendo fisioterapia para ter a mobilidade total, mas a lesão está curada.

BRMX: O Mundial MX 2016 terá algumas regras novas, principalmente nas corridas classificatórias de sábado, que agora passam a valer pontos. Você gostou desta mudança?
Tony Cairoli: Não. Algumas coisas deveriam ser discutidas, ninguém concordou com isso da parte dos pilotos e o que eu escuto é que ninguém gostou disso. E acredito que isso não é legal para os fãs, que não vão entender nada no domingo. Eles assistirão as corridas no domingo e não vão saber o que aconteceu nas corridas de sábado. Eles nem sabem como será o pódio. Acho que não fica claro para os fãs, e para nós é um risco a mais. Estávamos conversando sobre tirar os riscos por causa das várias lesões deste ano, e agora estamos agregando mais riscos. Não é o melhor, mas ainda há tempo até a temporada começar.

BRMX: Além disso haverá uma etapa a mais. Isso é bom, ruim, ou não importa?
Tony Cairoli: Eu acho que é demais. São muitas corridas e muito trabalho para todo mundo, viagens por aí. Eles sempre colocam mais corridas, mas acho que será igual a este ano. Sempre colocam uma a mais ou tiram uma, então é sempre 17, 18.

BRMX: E a moto reserva para a volta de reconhecimento?
Tony Cairoli: Isso é bom porque sempre pode acontecer algum problema na volta de reconhecimento e antes tinha essa regra ruim de não poder pegar outra moto. É mais uma chance.

BRMX: Terá também mais um evento no ano, que é a corrida das fabricantes, em outubro. O que você pensa disso?
Tony Cairoli: Não sei, espero que organizem bem este evento, mas é mais um campeonato, muitas corridas, mas para o esporte, se agregar novos ares, será bom.

>>> Acesse aqui as mudanças do Mundial para 2016

 

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Durante a coletiva de imprensa ao lado de Jean, Paulo, Balbi e Campano – Crédito: Christine Wesendonk / BRMX

 

BRMX: O que esperar do próximo ano? Você é octacampeão, mas outros pilotos estão fortes também.
Tony Cairoli: Todos os campeonatos são difíceis. Eu estava pilotando bem este ano até sofrer a lesão, e mesmo lesionado consegui alguns Top 5 em algumas etapas, mas esta lesão me incomodou muito. Acho que temos algumas coisas para trabalhar, tentar melhorar um pouco minha velocidade para o próximo ano. De qualquer forma, toda temporada é diferente da anterior. Veremos como será.

BRMX: Todos esperavam uma batalha entre você e Villopoto. Vocês chegaram a fazer um bom duelo na Argentina, na corrida de sábado, mas a verdadeira batalha não aconteceu. Você também sente que faltou esta briga?
Tony Cairoli: Ele é um dos melhores que a América já teve, mas para mim é como qualquer outro piloto, mas com certeza os holofotes estavam nele e em mim antes da temporada. Ele se machucou e depois eu me machuquei. Com certeza eu gostaria de ter corrido mais contra ele, por mais tempo, mas isso faz parte do trabalho.

BRMX: Você tem alguma vontade fazer uma corrida nos Estados Unidos, nem que fosse apenas uma corrida isolada?
Tony Cairoli: Não. Não, não. Não tenho interesse e nem meus parceiros têm. Mas, principalmente, pra mim não traz nada novo, nada. Meu foco é no Mundial de Motocross.

BRMX: A ida de Stevan Everts para a Suzuki muda alguma coisa para você?
Tony Cairoli: Não porque eu nunca trabalhei diretamente com ele. Mas com certeza é uma grande perda para a KTM, ele ajudava muito os mais novos na MX2, mas agora temos Joel Smets e ele também é muito técnico na preparação e pode nos ajudar muito.

BRMX: O que podemos esperar do Glen Coldenhoff como parte da equipe KTM?
Tony Cairoli: Não sei mais o que esperar. Todos os anos temos boas expectativas no começo da temporada, igual no ano passado com Tommy Searle, ele estava muito rápido no inverno (durante a pré-temporada), mas nas corridas é diferente. Vamos ver como serão as corridas, mas ele é um menino bom, um talento muito bom. Vamos ver.

 

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Fugindo do brasileiro Jean Ramos – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

BRMX: No próximo ano o Motocross das Nações será na Itália, na sua casa. Você já pensa nisso?
Tony Cairoli: Sim, com certeza já penso. Ainda não tenho este troféu na minha carreira, já ganhei muitas corridas, mas no MXoN você precisa ganhar com outras pessoas e é sempre difícil todos chegarem 100% em forma (no time italiano). Nos outros países do topo, eles têm muitas escolhas se alguém se lesiona, e na Itália temos três ou quatro que são bons, mas é difícil todos estarem em um bom momento, sem lesão, na época do Nações. Espero que no próximo ano tenhamos um piloto de MX2 que fique melhor e melhor, e outro na Open que dê seu melhor para terminar no pódio, então nos daremos bem.

BRMX: Uma pergunta na vida pessoal: por que Jill (Cox, esposa de Cairoli) não veio para o Brasil? Pergunto porque estamos acostumados ver ela junto contigo nas corridas.
Tony Cairoli: Ela tinha alguns compromissos planejados antes de eu acertar a minha vinda, e ela tinha algo programado com as amigas.

BRMX: Planos de ter filhos, casar?
Tony Cairoli: Não. No momento não. Já é muito difícil viajar ao redor do mundo eu e ela (Jill), planejando tudo. Então, neste momento não há planos.

 

Após as corridas, conversamos rapidamente com Cairoli outra vez. Confira!

BRMX: Como você avalia a corrida?
Tony Cairoli: A corrida foi boa. Na primeira bateria a pista estava mais técnica, com muitas canaletas, e na segunda estava mais plana em alguns lugares. Mas foi legal, andei bem, depois da largada me senti um pouco cansado, cometi um pequeno erro e caí. Demorei um pouco para recomeçar a andar bem, estava em terceiro, tentei respirar um pouco, recuperei a confiança, sentia um pouco de dor na mão, mas sabia que se eu mantivesse uma boa velocidade, com segurança, sem correr riscos, poderia voltar ao primeiro lugar. Mas tenho que dizer que os dois primeiros (Campano e Jean) andaram muito bem, acho que pilotaram melhor do que quando participaram dos GPs pois estavam mais motivados com o campeonato deles. Sei que Carlos é um bom piloto, corri contra ele muitas vezes antes, e agora ele está aqui no Brasil, o que acho que é bom para os brasileiros porque eles melhoraram a velocidade, e Ramos é muito bom. Conversei com ele rapidamente e ele disse que gostaria de correr GPs no próximo ano e acho que seria bom porque aprenderia muito. Ele já é um piloto bem técnico, então espero que o Brasil possa ter um bom piloto (no Mundial) outra vez.

BRMX: Enzo Lopes foi seu companheiro de equipe neste fim de semana. Você assistiu ele correr, poderia avaliar o desempenho dele?
Tony Cairoli: Eu não vi ele correr porque eu não podia sair do box, não dava para caminhar por aí, estava um pouco difícil (risos). Mas acredito que ele é um bom garoto, um bom talento, com certeza.

BRMX: O que você achou do evento?
Tony Cairoli: Foi um bom evento, ainda bem que hoje (domingo) estava ensolarado, as pessoas vieram em grande número para assistir, também passou ao vivo na TV, o que é sempre muito bom para nosso esporte.

 

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TC222 – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

:: Vídeo (desculpe pela interferência no som)