BRMX Analytics avalia sétima etapa do Brasileiro de Motocross 2013

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A sétima etapa do Brasileiro de Motocross 2013, realizada nos dias 19 e 20 de outubro em Foz do Iguaçu, Paraná, foi conturbada.

Nesta sexta-feira, 25, o BRMX Analytics avalia os pontos positivos e negativos da rodada. Confira!

 

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#1 – Pista

Todo evento de motocross começa a ser avaliado pela pista. E a pista de Foz é ruim, de nível técnico baixo, o que NÃO contribui para a evolução do esporte. E perigosa por causa do terreno duro e traçado veloz. Ela foi o principal problema da rodada.

Se você NÃO conhece o local, tente imaginar um terreno plano com cerca de 250 metros de comprimento. A pista tem retas que vão quase de ponta a ponta sobre um chão duro recheado de rampas que NÃO oferecem dificuldade alguma aos pilotos profissionais.

Assim, as motos atingem uma velocidade muito alta, incomum para provas de motocross. E, dadas as circunstâncias do último fim de semana, fica a impressão que os organizadores desconhecem que isso é perigoso neste esporte.

O traçado NÃO recebeu o tratamento ideal durante a semana e a poeira tomou conta do circuito colocando em risco a vida dos pilotos, já que atrapalhava a visibilidade dos obstáculos e dos adversários, além de ser ruim para o público.

As rampas foram outro alvo de reclamações dos pilotos. A maioria disse que elas estavam mal feitas ao ponto de causar quedas, sendo comparadas ao nível de provas amadoras por alguns.

O espaço para construção da pista NÃO é totalmente ruim. Com um pouco mais de criatividade e cuidado, o traçado poderia ser interessante e desafiador – sem ser perigoso.

A questão da poeira poderia ter sido prevenida com tratamento da pista ao longo da semana, como acontece no AMA MX e Mundial MX. O traçado deveria ter sido melhor planejado. E se estas coisas básicas tivessem sido feitas, provavelmente a etapa de Foz do Iguaçu não estaria sendo alvo de tantas reclamações.

Incrível constatar que os organizadores locais – MZ Sports Competições & Eventos e Federação Paranaense de Motociclismo (FPRM) –, que conhecem o calor e a pista de Foz, NÃO trabalharam previamente estas questões.

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A foto é de domingo, que teve menos poeira que no sábado – Foto: Keu Lerner / BRMX

 

#2 – Atrasos na programação

Por causa da poeira e dos saltos mal-feitos, a direção de prova resolveu cancelar os treinos cronometrados de sábado. A decisão foi acertada, afinal era preciso fazer o trabalho que deveria ter sido feito ao longo da semana para colocar a pista em condições para a realização da etapa.

No domingo, também foi necessário atrasar a programação para molhar a pista entre uma bateria e outra. O atraso foi tanto que a segunda bateria da MX1 teve que ser transferida para outra data.

Faltou a organização se precaver com, pelo menos, mais um caminhão-pipa para molhar a terra. E mais um trator para fazer o trabalho de manutenção. Isso teria agilizado o processo e talvez a última bateria pudesse ter sido realizada.

Os atrasos são sempre ruins, mas a segurança dos pilotos deve ser prioridade. Avaliamos que a atitude tomada por Roberto Boettcher, diretor de prova, foi correta neste caso.

Só ficamos imaginando se o evento tivesse transmissão ao vivo na televisão – onde nada pode ser atrasado e tudo tem seu tempo certo para acontecer – como esta situação seria contornada.

 

3# – Estrutura do local

O local onde acontece a etapa é muito interessante. À beira do lago de Itaipu, com uma praia de água doce, gramado, área arborizada, energia elétrica, banheiros, restaurante, o local poderia sediar uma das melhores etapas do ano.

O acesso à pista é fácil, o solo do box é de paralelepípedo e bem nivelado, o público tem boa visão das arquibancadas. Nestes quesitos, Foz está bem cotada.

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Praia artificial de Três Lagoas foi o palco da rodada – Foto: Sérgio Azevedo

 

4# – Público

Mais uma vez vimos arquibancadas com baixa lotação. Está difícil encher de público as etapas do Brasileiro de Motocross. A exceção é Aracaju, onde a entrada é gratuita, e Carlos Barbosa, onde a tradição junta muitos espectadores. Os outros organizadores (além de Aracaju) também deveriam abrir mão de cobrar R$ 15 por ingresso e a casa encheria, com certeza.

Seria interessante também que a organização tentasse recuperar o clima do motocross de outros tempos, oferecendo área de camping para os espectadores. Muitos gostariam de acampar no local para poder conviver um pouco mais com seus ídolos no fim de semana.

Para isso, logicamente, seria necessário organizar esse camping com segurança, estrutura básica, etc.

 

#5 – Modelo de organização

Todos estes problemas levantam uma outra questão, que é o modelo de organização das etapas do Brasileiro de Motocross.

Quem organiza são os promotores locais, geralmente as federações estaduais. Cada organizador tem a sua maneira de preparar a rodada, com quesitos particulares. Por isso, em Aracaju não se cobra ingresso e o público pode entrar no box, por exemplo, mas em outras cidades isso não acontece. Alguns lugares têm melhor divulgação nas ruas e nas rádios, TVs e sites locais, e outros sequer têm placa no bairro da pista. Cidades como Sorriso recebem a imprensa e os trabalhadores da rodada com café da manhã e almoço, e outros mal providenciam internet na sala de imprensa, só para citar alguns exemplos. As coisas variam muito de uma etapa para outra.

A CBM supervisiona as ações e tem uma equipe que trabalha na etapa desde a montagem do material publicitário na pista, arquibancadas, cercas, bumps, áreas vips, sala de imprensa, até o pessoal da parte técnica, como diretor de prova, cronometrista, secretaria e assessoria de imprensa. Nestas partes, o trabalho tem inclusive melhorado a cada rodada, é preciso dizer.

O campeonato deveria ser padronizado, seja pela CBM ou por quem ela contrata.

 

#6 Número de participantes

O BRMX vem acompanhando a quantidade de pilotos que participam das etapas do Brasileiro MX. Se ligue!

 

Carlos Barbosa, Rio Grande do Sul
MX1: 30
MX2: 40
Júnior: 40


Três Lagoas, Mato Grosso do Sul

MX1: 23
MX2: 38
Júnior: 31


Sorriso, Mato Grosso

MX1: 17
MX2: 26
Júnior: 24


Aracaju, Sergipe

MX1: 17
MX2: 33
Júnior: 25


Salvador, Bahia

MX1: 12
MX2: 30
Júnior: Etapa foi adiada


São José, Santa Catarina

MX1: 25
MX2: 30
Júnior: 23


Foz do Iguaçu, Paraná

MX1: 23
MX2: 31
Júnior: 22

 

# Avaliação final

Esta etapa foi desastrosa. Vai competir com a etapa da Bahia como a pior do ano. Se o campeonato voltar para Foz do Iguaçu em 2014, a pista deverá ser totalmente reformulada e o cuidado com o terreno deverá ser redobrado.

 

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