Bate-papo pós-título com Jason Anderson, campeão do AMA SX na 250 Oeste

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Comemoração com a equipe – Foto: Divulgação

 

Só havia um título em jogo na grande final do AMA Supercross: a 250 Costa Oeste. Jason Anderson, da Rockstar Energy KTM, conquistou o troféu com um sexto lugar na final, terminando o campeonato na ponta com Cole Seely na cola em segundo, por apenas cinco pontos. É o primeiro título de Anderson e sua equipe, e também o campeonato de despedida do atleta que agora vai para a 450 (quando o assunto é supercross, já que esta temporada do motocross ainda será de 250).

Depois da prova em Vegas, o piloto concedeu uma entrevista à imprensa, que foi publicada segunda-feira, 5, no site Racer X. Abaixo você confere os melhores trechos.

 

Correram rumores de que você havia se machucado. O que aconteceu?
Jason Anderson: Não sei se deveria responder isso ou não, mas acho que vou responder. Eu bati e machuquei meu pulmão direito. Achei que estaria melhor hoje (em Vegas), mas tive que lutar um pouco aqui com um pouco de dificuldade para respirar o ar seco (Las Vegas está no meio de um deserto).  Não acho que eu estava 100%, mas se eu precisasse forçar mais, eu teria feito. Enfim, foi uma longa bateria. Me senti um velho.

Eu notei o protetor no peito.
Jason Anderson: Sentia dores, por isso usei protetor. Eu achei que tinha que proteger essa parte do meu corpo, então é por isso que eu usei o colete. Vou deixar de usar para o AMA Motocross, em Glen Helen.

Aquela largada não estava nos planos, certamente. Você ficou nervoso?
Jason Anderson: Fiquei um pouco nervoso até ver o Cole (Seely) bem perto te mim. Então pensei: é isso aí! Era o cenário perfeito. Eu sabia que mesmo com ele em segundo, eu só precisava chegar em sexto, e cheguei em sexto sem me importar com a posição dele. Foquei apenas no que tinha que fazer.

Era só uma questão de ficar perto e ver o que ele estava fazendo, certo?
Jason Anderson: Exatamente. Era como se eu tivesse que só olhar os movimentos dele. Deixei ele avançar um pouco, o que eu não deveria ter feito, mas mantive a esperança, como em um jogo que eu sabia que ele não ia ganhar.

 

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Jason Anderson – Foto: Divulgação

 

Agora é 450…
Jason Anderson: Acho que eu e ele (Cole) chegaremos fortes para o ano que vem e teremos o devido reconhecimento, juntamente com Deano (Wilson). Acho que eu e Cole abrimos os olhos de muita gente. Nós não éramos “os caras” nos anos anteriores. O fato de eu e ele estarmos na frente só mostra o quanto nos esforçamos e trabalhamos duro com nossas equipes e nossas equipes conosco. Nós progredimos com as equipes, e as equipes conosco. Acho que isso foi valioso para minha equipe. É o meu primeiro título e o primeiro título da equipe, espero continuar muitos anos com eles e espero fazer um campeonato assim na 450.

Seely passou você na primeira volta, e ele fez isso da maneira mais limpa que pôde. Ele tinha você do lado de fora, poderia ter eliminado você.
Jason Anderson: Ele jogou com isso, mas eu fui paciente.

Ele poderia não ter jogado tão limpo.
Jason Anderson: Ele definitivamente poderia ter sido pior, mas ele tem sido um cara honesto o ano todo e não fez nenhuma loucura. Eu o respeito por competir da maneira como o fez e sinto que a recíproca é verdadeira, mesmo que eu tenha batido forte nele em A1, mas foi pela vitória. Entre eu e ele existe um nível de respeito que você não vê muito no campeonato. Estamos disputando muito dinheiro e os nossos patrocinadores esperam por isso. Poderia ter sido até mais. Mas entre mim e Cole, eu falei com ele antes dos treinos, não é como se estivéssemos batendo cabeças ou coisa parecida. Foi um campeonato muito legal e eu estou amarradão de como ele terminou.

Acho que disseram na coletiva outro dia – acho até que Villopoto ou Dungey disseram isso – que você aprendeu que não é nenhum pecado conversar com a concorrência.
Jason Anderson: São concorrentes, quer dizer, estão tentando tomar dinheiro de você. Essa é a parte difícil. Então você diz “não mexa na minha conta!”, e você ainda quer vencê-los.

 

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Atleta vai para a 450 no motocross – Foto: Divulgação

 

Você e Cole jogaram limpo, mas você estava preocupado com a equipe de uma forma geral? Sabemos que você teve algum problema com Malcolm em uma das etapas em Anaheim.
Jason Anderson: Sim, mas todos os caras da equipe deles são muito respeitáveis. Não acho que eles fariam alguma coisa contra mim. E penso o mesmo sobre Tyler Keefe (chefe da equipe Troy Lee Designs). Obviamente eu tive essa questão com Malcolm, mas Malcolm é um piloto agressivo. Essa agressividade é algo natural dele, não é nada demais.

Notei que no tira-teima (Shootout) Leste-Oeste, você acabou passando por cima da perna dele.
Jason Anderson: Passei. Eu não queria ter feito isso mas foi inevitável. Fiz o que pude, era atingi-lo em cheio diretamente ou tentar pular por cima.

Devido a lesão, você não precisava correr o “Shootout”. Você só queria fazer pelo menos uma corrida com o número #1 no number plate ou não estava tão machucado assim?
Jason Anderson: Eu só queria relaxar. Eu não queria correr, mas chegamos à decisão de que se eu largasse bem, bastaria me manter e seguir. Larguei em terceiro e Mookie (Malcolm Stewart) me passou. Ele estava tentando ganhar e acabou caindo, o que é chato. Mas, terceiro estava bom. Senti que não estava andando muito, apenas tentei chegar lá e fazer as voltas aproveitando a corrida com o número #1.

Você está subindo de categoria, então poderia ser sua única chance de correr com o número #1.
Jason Anderson: Oficialmente estou fora da categoria (no supercross). Então, estou feliz pro ter assinado um contrato para a 450!

Motocross chegando…  você está empolgado? Acho que você é melhor no motocross que no supercross.
Jason Anderson: Sou bom no motocross, apenas acho que não cheguei junto nos últimos anos, mas neste ano estou chegando com força para ser reconhecido, penso eu. Assim como os outros caras, que chegarão bem também.