Três perguntas para Stefan Everts e uma história de 13 anos

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Esse de boné vermelho eu não sei quem é, mas os outros são Mau Haas, Kebi e Keu Lerner – Foto: Arquivo Pessoal

 

A foto é de 1999, o ano que eu vendi meus CD’s do Guns n’ Roses, minha raquete de tênis LINCE e minha chuteira Diadora igual a do Taffarel para assistir ao vivo o Motocross das Nações.

Tinha 14 anos e vendi tudo isso e outras coisas menos importantes para juntar uns 500 mangos, que era o básico para viajar de Itapiranga, Santa Catarina, até Indaiatuba, São Paulo, dentro de um Corsa 1.0 com outros quatro amigos – entre eles Keu Lerner, um dos sócios do BRMX, e seu irmão, Kebi Lerner, a memória viva do BRMX.

Era o Brasil realizando a 53ª edição da principal competição do motocross mundial e nós não teríamos coragem de ficar em casa e ver pela TV.

Naquele fim de semana, apertei pela primeira vez a mão de grandes nomes do esporte mundial. Saímos da cidade do Chumbinho – a inspiração do BRMX – para encontrar Ricky Carmichael, Kevin Windham, Mike LaRocco, Sebastién Tortelli, David Vuillemin, Alessio Chiodi, Joel Smets, Andrea Bartolini e, em especial, Stefan Everts.

O agora chefe da equipe Red Bull KTM já era uma lenda. Seu estilo de pilotagem, quase sempre em pé, era espantoso, e sua concentração era intimidadora.

Foi muito difícil tirar a foto que abre esta matéria. O cara estava sempre pedalando, ou sozinho, pensando. Quando conseguimos, foi tempo para um clique apenas, e um toque no ombro do ícone.

Em 2011, reencontrei Everts pela primeira vez desde aquela época. Coincidentemente, o vi novamente em Indaiatuba, no Centro de Treinamento da Honda, enquanto rolava o GP Brasil do ano passado.

Estava na sala de imprensa quando ele apareceu, chamando a atenção de todos. Ao meu lado, Elton Souza – editor e “motor” do BRMX – foi ousado mais uma vez e sugeriu que eu chamasse Everts para ver a foto de 1999. Ela estava digitalizada e salva – também por coincidência – no desktop do meu computador.

Mostrei.

– Dez anos mais novo! – exclamou a lenda com um sorriso no rosto.

Durante o GP Brasil deste ano, 2012, a Vedamotors Athenas convidou o BRMX para um evento da KTM na sexta-feira que antecedeu o Grande Prêmio em Penha, Santa Catarina. Oportunidade para reencontrar Everts mais uma vez.

13 anos mais velhos, desta vez tivemos mais tempo para conversar. Não muito tempo, é verdade, mas o suficiente para fazer três perguntas que provavelmente todos gostariam de fazer.

Minutos antes deste momento, eu havia feito uma brincadeira com Cairoli, perguntado quem venceria uma corrida entre ele e Everts. Logo, estendi a pergunta a Everts, e ele respondeu depois de fazer uma pausa para pensar:

– Muitas coisas têm que ser consideradas. É sempre difícil comparar gerações. Dependeria da pista, da moto, das condições físicas. Mas, acho que em condições iguais, os dois no auge, seria uma grande corrida. Seria uma verdadeira batalha – disse.

Aproveitei e fui um pouco além. Entre ele e o norte-americano Ricky Carmichael, quem seria o melhor:

– É difícil dizer. Chegamos a competir um contra o outro, mas ele de dois tempos e eu de quatro tempos, em corridas esporádicas. Teríamos que medir em condições iguais – sugeriu.

Por fim, indaguei se em 2012 alguém quebraria a hegemonia dos Estados Unidos no MX das Nações que acontecerá na Bélgica, no fim de setembro.

– Acho que este ano tem tudo para um país europeu vencer, especialmente pelas características da pista de Lommel. Mas em várias outras oportunidades tinha tudo pra Bélgica, França ou Itália ganhar, e quem ganhou foram os americanos. Vamos ver – analisou.

Dei dois tapinhas nas costas dele, agradeci, desejei boa noite e voltei pra roda de amigos, feliz da vida. Agora é esperar por Lommel.