Roberto Boettcher entra na “máquina do tempo” e sai com roupas retrô e moto antiga para a Corrida dos Campeões

Piloto oficial da Yamaha em 1982 – Foto: Arquivo Pessoal

Parece máquina do tempo. Roberto Boetcher, tricampeão brasileiro de motocross, o primeiro campeão nacional ainda vivo, deve entrar na pista do Beto Carrero World com uma Yamaha de 1983 e roupas retrô que relembram seus tempos de glória para participar da Corrida dos Campeões no dia 19 de maio. Não é demais?!

Boettcher é um dos 15 pilotos convidados para receber uma homenagem pelos feitos do passado durante o GP Brasil do Mundial de MX 2013, que acontecerá em Penha, Santa Catarina. Além das saudações, os pilotos farão uma corrida amistosa, de apenas três voltas, para fazer os mais velhinhos sentirem nostalgia e os mais novinhos aprenderem mais sobre a história do motocross nacional.

Se você já visitou a fábrica da ASW deve se lembrar de uma moto Yamaha que fica na entrada do prédio de forma decorativa. Ela foi oferecida por Fernando Silvestre, diretor de marketing da empresa, para ser utilizada por Boettcher na corrida. Além disso, a marca está confeccionando réplicas das roupas do piloto para caracterizá-lo aos moldes do passado.

Boettcher, 56 anos, contou tudo isso ao BRMX na noite de terça-feira, 7, quando atendeu a ligação do site para conversar sobre a corrida, assim como já fizeram Moronguinho e Cássio Garcia aqui e aqui.

– Se tudo der certo, se for possível mesmo fazer esta motinho andar de novo, será muito legal – vislumbra Boettcher, que atualmente é vice-presidente e diretor de competições da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo), além de presidente da Federação Goiana de Motociclismo.

Bom de papo, tranquilo e bem-humorado, ele relembra a diferença do Brasileiro de MX daquela época para os dias atuais.

– Quando ganhei a primeira vez eram seis etapas e eu corria seis baterias em cada uma. Andava na 125 e na 250, e cada categoria tinha três baterias de sete voltas. Descia de uma moto e sentava na outra – relembra.

Foi campeão brasileiro das duas categorias em 1975 e campeão em 1979 na 125, além de ganhar o Latinoamericano de 1976. Outro fato de orgulho para o goiano é que ele é o único brasileiro em toda história a fazer o circuito completo do Mundial de Motocross. Em 1977, com “paitrocínio” e apoio do governo de Goiás, Boettcher foi morar na Holanda para participar das 12 etapas do Mundial de MX.

– Não tinha nenhuma informação sobre o Mundial. Eram outros tempos. Tudo que eu tinha acesso eram umas revistas alemãs que meu pai importava. Eu só olhava as fotos. Mas fui mesmo assim. Fui eu e o Zé Augusto Cruz Toledo, engenheiro mecânico, amigo, falava inglês e francês. Ele era meu preparador, meu motorista, fazia tudo pra mim. Ficamos na Holanda e eu corri todas as etapas. Classifiquei entre os 20 melhores em todas. Fiz nono, décimo, décimo primeiro. Mas precisava de mais uns dois anos para andar na frente – avalia.

O pioneirismo de Boettcher vai mais além. Ele foi o primeiro a trazer uma moto importada legalmente para o Brasil. Como seu pai era dono de concessionária da Yamaha, o caminho era mais fácil, e em 1978 a moto de Boettcher veio direto do Japão.

O tricampeão brasileiro parou de competir profissionalmente em 1986. Viveu uma época forte no motocross brasileiro. Teve mais de dez anos de contrato como piloto oficial da Yamaha. Depois disso, ajudou a fundar a Federação Goiana de Motociclismo e no final da década passada passou a integrar a diretoria da CBM.

– Depois de 1986 continuei fazendo corridas, mas já não me dedicava por completo. Ganhei o Campeonato Goiano (ele costuma correr o Paulista, que era mais forte e mais importante) e o Centro-oeste. Mas aí, numa corrida, um cara me jogou uma lata de cerveja no peito, eu fiquei chateado e anunciei que iria largar. Parei e fiquei dez anos sem ir a uma corrida de motocross – recorda.  

Atualmente Boettcher faz provas esporádicas de Cross Country na categoria Over 45. Há poucas semanas, correu uma etapa do Brasileiro de VX, fez holeshot e tudo, e terminou em terceiro. Mas jura de pé junto que está sem tempo para treinar para a Corrida dos Campeões.

– Não consegui dar nenhum treino ainda. Mas vamos lá. Não tenho tempo para treinar. Ando um fim de semana sim, no outro não. Mas o mais importante é rever os amigos, receber essa homenagem – admite.

E qual o número que você vai utilizar na Corrida dos Campeões?

– Tem que ser o #15. Usei o #15 a vida toda. Quando eu comecei, meu irmão era o #14 e outro amigo, da mesma equipe, era #16. Entrei no time com o #15 e ficou – conta.

Com o amigo Cruz Toledo e o caminhão (e casa) durante o Mundial de MX em 1977 – Foto: Arquivo Pessoal

Yamaha utilizada no Mundial de 1977 – Foto: Arquivo Pessoal