Ratinho Lima: “É 90% certo que estamos fora”

Família Lima: vidas dedicadas ao motocross

 

Os irmão Ratinho e Dudu Lima estão prestes a anunciar o fim precoce de suas carreiras no motocross brasileiro após tentativas frustradas de montarem uma equipe para a temporada 2019.

Nesta terça-feira 26, o BRMX conversou com Marcello “Ratinho” Lima e Dudu Lima sobre a real situação da equipe, que nos últimos anos se chamava EMG Kawasaki Racing e contava com a dupla de pilotos, chefiada por seu pai, Gui Lima.

Com apoio da Kawasaki, os irmãos Lima disputaram as últimas oito temporadas do Brasileiro de Motocross, sempre brigando por pódio. Dudu inclusive venceu a abertura do campeonato em 2017, na pista de Cornélio Procópio.

– Nos últimos anos vêm sendo bem difícil pra gente, cada ano que passava nossa receita diminuía. Teve ano que a gente teve que colocar dinheiro nosso pra terminar a temporada. E agora estamos literalmente a pé, sem apoio algum – disse Ratinho Lima.

Os atletas ainda têm as motos do ano passado. Dudu está treinando, mas Ratinho ainda se recupera da cirurgia que fez no joelho, em outubro.

– Poderia voltar a treinar com as motos do ano passado, mas o problema é não ter grana para trabalhar. Demos nosso sangue pelo esporte e estamos sentindo falta do reconhecimento. Chegamos a falar com outras marcas, mas nada evoluiu – comenta o atleta de 31 anos.

Dudu Lima vinha em uma crescente desde 2010, quando foi vice-campeão da MX2 e da MX1, perdendo para o norte-americano Scott Simon. Em 2011, foi campeão brasileiro na MX2, enquanto Ratinho foi vice-campeão na MX1. Em 2012, Dudu novamente foi vice na MX2 e campeão da extinta Superliga Brasil de Motocross. Depois, ambos sofreram com algumas lesões e os resultados ficaram prejudicados. Mas em 2015, novo vice-campeonato para Dudu na MX2.

A dupla também representou o Brasil no Motocross das Nações em 2011 e 2017, ano em que Dudu começou a temporada muito bem, com vitória na abertura. Acabou a temporada em 4º (o melhor brasileiro), apenas 47 pontos atrás do campeão Carlos Campano.

– Estou muito chateado com tudo isso. É triste você dedicar sua vida inteira por um esporte e acabar assim, sem opções. Lembrando que não queria me aposentar, e nem se pode dizer que isso é se aposentar, sendo que não foi uma escolha nossa, e sim falta de opção.
É uma pena ver o esporte acabar assim. Infelizmente, hoje tem dois pilotos a menos no gate do Brasileiro de Motocross. Uma pena ver os pilotos brasileiros cada vez mais jogados e sem recursos – desabafa Dudu Lima.

 

*Atualização do dia 27 de fevereiro

A palavra do chefe de equipe

Gui Lima, pai dos pilotos e chefe da equipe, procurou o BRMX para fazer um agradecimento especial aos parceiros dos últimos anos.

– A realidade é que todos os anos o orçamento diminui um pouco. Já estamos há cerca de 4 anos colocando grana do nosso bolso para nos mantermos competitivos. Teve temporadas que rolou, que conseguimos unir patrocinadores e fazer acontecer, mas outras foram difíceis.

– Eu gostaria de agradecer em especial à Foco, ao Duda Parise, que nos ligou para renovar, e claro que renovaremos se continuarmos competindo. O relacionamento é pra lá de redondo. Gostaria muito de agradecer também ao Persio Mattos, da SportsCo, ao Rodrigo, da Domo, a Roberta, da Linda Fruta, e a cervejaria Brew Hood, que nos deram um suporte muito bom. Os patrocinadores “menores” querem muito fazer acontecer, têm muita vontade de fazer, mas eles não aguentam sozinhos. E, claro, quero agradecer a Kawasaki pelas 9 temporadas juntos. Não há nenhum rompimento, mas há uma dificuldade de seguir nas atuais condições do mercado.

– É importante dizer que ainda não fechamos todas as possibilidades, ainda não encerramos carreira. Aguardamos alguma proposta, queremos continuar. Às vezes, no apagar das luzes, acontece algo bom. Tomara que possamos continuar envolvidos no esporte – disse Gui Lima.

 

Dudu Lima

 

Ratinho Lima

 

Mais fotos

Em 2015, o fotógrafo Rafael Gagliano fez este ensaio irado à pedido do BRMX. Relembre!