Poesia e riqueza histórica no roteiro do Sertões 2021

Em edição 100% sertão, maior rally das Américas exalta o Nordeste, seus cenários e sua cultura. Etapas ganham nomes que homenageiam lugares e personagens da região. Prova acontece de 13 a 22/08

O maior rally das Américas chega à sua 29ª edição para fazer história mais uma vez. Ao longo destas quase três décadas, o Sertões foi um só e ao mesmo tempo vários. Atravessou todas as regiões do país, desafiou os competidores com percursos de características diferentes e se renovou a cada ano. Em 2021, a prova tem pela primeira vez o percurso concentrado no Nordeste – um roteiro 100% sertão. Com início em Pipa (RN) no dia 13/08 e término em Tamandaré (PE), no dia 22, atravessando sete dos nove estados do NE: RN, PB, PE, PI, BA, AL, CE .

A região em que o Brasil foi descoberto é, desde os primórdios, sinônimo de histórias, lendas, lugares e personagens marcantes. Imortalizados nos versos de mestres como Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto e na obra de Euclydes da Cunha. Um cenário tão rico só poderia servir de inspiração para o Sertões. Que homenageia o Nordeste ao batizar o prólogo e as nove etapas com nomes que resumem toda sua tradição e diversidade. A cada dia de velocidade e desafio, a caravana vai também mergulhar na história com um quê de poesia.

13/8 – Prólogo – Engenhos
11km

O roteiro do Sertões 100% Sertão começa com a tomada de tempo em Tibau do Sul (RN). O nome “Engenhos” vem da paisagem encontrada durante a prova, que cruza antigos engenhos de cana de açúcar. É no município de Tibau do Sul que fica a famosa praia da Pipa, que leva esse nome por causa de uma pedra que tem o formato de uma pipa. Mas não é dessas que voam. Pipa é também o nome que se dá há uma espécie de barril feito para armazenar bebidas alcoólicas como a cachaça, feita da cana de açúcar processada…Nos Engenhos!

14/8 – Etapa 1 – Seridó
DI – 82,8KM TE – 235,01KM DF – 98,11M = TOTAL: 415,93KM

O que é o Seridó? Seridó é um bioma de transição para a Caatinga, que por sua vez é o único bioma 100% brasileiro! A gente pode até dizer que o Seridó é uma pré-caatinga e bem temida pelos competidores do rally, porque além de areia carrega pedras no meio do caminho. Agora, de onde vem esse nome? De acordo com o famoso historiador Luís Câmara Cascudo, Seridó vem da linguagem do povo indígena Tapuia, “ceri-toh” que quer dizer “pouca folhagem” ou “pouca sombra”. Terreno difícil para quem quer correr um rally!

15/8 – Etapa 2 – Padim Ciço
DI – 20,76KM TE – 249,07KM DF – 241,17KM = TOTAL: 511,01KM

A segunda etapa do Sertões leva o nome do “santo” brasileiro Padre Cícero. Para os mais íntimos: Padim Ciço. Isso porque a chegada da prova passa pertinho de Juazeiro do Norte a cidade em que o lendário padre morreu e se transformou em uma estátua de 30 metros de altura (mesmo tamanho do Cristo Redentor do Rio de Janeiro). Mas a especial chega mesmo é em Araripina, Pernambuco. Cidade que produz 95% do gesso do Brasil!

16/8 – Etapa 3 – São Raimundo Nonato
DI – 150,51KM TE – 220,22KM DF – 44,95KM = TOTAL: 415,69KM

A terceira etapa do Sertões 2021 chega até São Raimundo Nonato(PI) e é lá também que fica um dos patrimônios da UNESCO, a Serra da Capivara. É lá que fica o maior e mais antigo sítio pré-histórico das Américas, com pinturas rupestres com até 50 mil anos de história! Apesar desse nome, o bicho que manda no parque é a onça, inclusive na entrada da cidade tem estátuas de duas onças enormes! Ah, e sabe por que São Raimundo Nonato, o “santo”, não a cidade, leva esse nome? Porque ele nasceu de cesariana e quando isso acontecia na Idade Média a criança recebia o nome de “Nonato” ou em latim “Não Nascido”.

17/8 – Etapa 4 – Laço Do Vaqueiro
DI – 0KM TE – 316,24KM DF – 4,67KM = TOTAL: 320,92KM

A quarta etapa do Sertões vai de São Raimundo Nonato para…São Raimundo Nonato. Pois é, isso porque nesta etapa a prova faz um laço em volta da cidade. Daí o nome de Laço do Vaqueiro. Este nome é uma homenagem aos homens que se assentaram na caatinga brasileira: os vaqueiros nordestinos. Conhecidos pelos seus chapéus característicos, esses chapéus são muito mais do que folclore, pois têm muitas utilidades. Além de proteger do sol, suas abas arredondadas protegem o rosto dos espinhos dos mandacarus; e seu formato de cuia é para poder pegar água para beber dos rios!

18/8 – Etapa 5 – Xique-Xique
DI – 13,77KM TE – 328,75KM DF – 99,75KM = TOTAL: 442,28KM

Quem não conhece Severina Xique-Xique? A música composta por João Gonçalves ficou imortalizada na voz de Genival Lacerda. Mas o Xique-Xique que dá nome a etapa não é da música, mas da cidade baiana de Xique-Xique. Será que alguma Severina mora lá? A cidade leva esse nome por causa da vegetação da região, dominada por um cacto chamado Pilosocereus polygonus, que aqui no Brasil é chamado de xiquexique. Que aliás, quando maduro é comestível!

19/8 – Etapa 6 – Velho Chico
DI – 0KM TE – 328,35KM DF – 147,89KM = TOTAL: 476,25KM

Saindo de Xique-Xique, o Sertões 100% Sertão segue as margens do Rio São Francisco, ou Velho Chico, como é conhecido. Um rio cheio de mistérios e superstições. Uma das mais famosas é a lenda do Minhocão, uma serpente gigantesca que vive nas profundezas do Rio São Francisco e destrói barcos e casas. O monstro do lago Ness é fichinha perto do nosso Minhocão! Tem outra lenda que vale a pena falar: todo dia à meia noite o Velho Chico ” tira uma soneca”. Nesse momento, a água pára de correr e as cachoeiras param de cair, por isso é recomendado que antes de beber água do rio de noite se jogue uma pedrinha nele , para ver se ele está dormindo. Mas o que não é lenda e é bonito de ver é que com a transposição do Rio, o que era seco virou verde e a ideia de que o sertão é só terra rachada ficou para trás! E para não perder o embalo, a Etapa Velho Chico chega na cidade de Petrolina. Que ganhou esse nome em homenagem ao Imperador Brasileiro Dom Pedro II e sua mulher Tereza Cristina. Pedro + Cristina = Petrolina!

20/8 – Etapa 7 – Lampião
DI – 138,84KM TE – 239,98KM DF – 62,29KM = TOTAL: 441,12KM

Não dava para fazer um roteiro 100% Sertão sem falar do cangaço e de Lampião. Pois essa etapa leva esse nome porque passa exatamente no lugar que o Capitão Virgulino Ferreira escolheu para se esconder dos coronéis do Sertão. Mas Lampião não é o único personagem que habitou esse cânion na região mais seca da Bahia. A mulher que deu nome ao raso é Catarina, dona da Fazenda Caterina, que existe até hoje. Diz a lenda sertaneja que ela lutou contra a seca com unhas e dentes, mas foi vencida e hoje seu espírito ajuda os vaqueiros a encontrar animais perdidos.

21/8 – Etapa 8 – Alagoas
DI – 9,14KM TE – 152,28KM DF – 87,04KM = TOTAL: 248,47KM

Pela primeira vez em 29 anos de história o Sertões passa pelo lindo estado de Alagoas. E não tinha outro jeito melhor de homenagear esse estado a não ser dando um nome de etapa pra ele. A etapa sai de Delmiro Gouveia, que ganhou esse nome graças a um grande comerciante da época que ficou rico vendendo couro de bode para Nova Iorque! E termina em Arapiraca, que leva esse nome porque nasceu ao redor de uma árvore de mesmo nome.

 

22/8 – Etapa 9 – Sertão virou Mar
DI – 193,47KM TE – 132,47KM DF – 18,05KM = TOTAL: 344,00KM

Não dava para escolher um melhor final do que esse. A última etapa do Sertões 2021 termina na praia de Carneiros em Tamandaré (PE), eleita pelo site Tripadvisor (referência em turismo) como a 12ª. praia mais bonita do mundo e a segunda mais bonita do Brasil! Conta uma lenda indígena que Tamandaré foi um grande pajé que inundou o mundo e do alto de uma palmeira ele e sua mulher deram origem ao povo Tupinambá. Tamandaré foi o Noé do Brasil! E a história de dilúvio não para por aí, em 1775 Tamandaré foi uma das poucas cidades brasileiras a registrar um Tsunami causado por um terremoto em Lisboa! Definitivamente em 23 de agosto a terra vai tremer por lá de novo!