BRMX Analytics: Mundial de Motocross 2011 no Brasil

Não está no acaso a justificativa para tantos elogios recebidos pela pista montada para a quarta etapa da Superliga de Motocross, em Penha, Santa Catarina. Construída pelo mesmo cara que faz as pistas do Mundial de Motocross, Justin Barclay, ela tinha elementos necessários para ser considerada uma das melhores do Brasil antes mesmo de sediar uma corrida oficial.

O acerto começou na escolha do terreno. Os dois mil metros de traçado eram formados por uma terra “grudenta”, que aumentava a aderência, e “macia”, o que proporcionava a criação de cavas profundas. Além disso, havia uma reta feita de areia, também muito macia, que dificultava a vida dos pilotos.

O traçado também foi bem planejado. A pista começava no plano, e ali tinha um aspecto mais parecido com supercross, com mesas, duplos e uma sequência de rampas – com duas linhas diferentes lado a lado. Depois seguia para uma parte encostada na montanha, com um triplo em subida, uma sequência de descida e subida de alta velocidade, e uma curva descompensada e muito esburacada – talvez a parte mais difícil – que terminava numa descida com saltos rápidos antes de voltar para a parte plana, onde era a chegada.

Detalhes que fizeram a divisão entre os pilotos de alto nível e aqueles que ainda carecem de mais treino, ou talento. Os “aventureiros” de fim de semana, que sempre aparecem em provas nacionais, sentiram a pressão.

Isso significa evolução. Pistas difíceis obrigam o camarada a treinar mais, ou a desistir. É a seleção “natural”. Pista deste nível eleva a qualidade dos pilotos brasileiros e diminui a eterna distância técnica para os gringos. Se todas as pistas fossem assim, enxergaríamos uma evolução muito mais rápida dos pilotos nacionais.

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Mundial de MX 2012

Deixando de lado os elementos técnicos do traçado, a pista em anexo ao Parque Beto Carrero Wolrd – o maior parque temático da América Latina – deu uma contribuição enorme para transformar o motocross em um espetáculo vistoso, o que sempre contribui para cativar o público “normal”.

Houve preocupação com alguns detalhes, que se não alteram o resultado da corrida, auxiliam para o melhor andamento do evento. Coqueiros e grama foram plantados ao redor da pista por uma questão estética. Elementos do parque, como estátuas de dinossauros em tamanho real, estavam lá pelo mesmo motivo. E uma “trilha” de pó de brita foi montada ao longo da pista de corrida, para que o “staff” do evento pudesse transitar sem precisar se atolar no barro – claro que no domingo, com a quantidade de chuva que caiu, isso teve um efeito bem reduzido.

O conjunto da obra deu um ar de evento de primeiro mundo. Mas não só por isso os boatos são de que no próximo ano o GP Brasil do Mundial de Motocross será em Penha, nesta pista. O que se comenta nos bastidores é que dificilmente o GP Brasil 2012 será em outro lugar.

Enfim, com ou sem Mundial, uma pista deste nível não deve ser esquecida como foi a de Campo Grande, Mato Grosso, que após a realização do GP Brasil 2010 ficou “abandonada”. Sequer uma etapa de Brasileiro foi realizada lá neste ano. Nem será.

E, claro que melhorias precisam ser feitas. Vale ressaltar que faltou montar uma ou duas arquibancadas na parte superior da pista. Aquela era a melhor parte do traçado, e o público que pagou ingresso ficou privado de ver aquele ponto de perto. Também seria bem interessante asfaltar a área de box, o que sempre ajuda em caso de chuva. E uma drenagem na pista cairia bem.

Postado por Mau Haas

Fotos: Mundial de Motocross 2011 no Brasil

Pista do Beto Carrero World

Formação de cavas profundas

Trecho descompensado

Trecho de areia

Seção de “supercross”

Triplo em subida