Moronguinho volta ao motocross para encarar Corrida dos Campeões

Moronguinho
Moronguinho puxando o pelotão no treino – Foto: Mau Haas / BRMX

 

Texto escrito em 1º de maio de 2013

Os braços agora travam na segunda volta. O fôlego não permite baterias longas. Mas é impressionante a gana e a alegria que ainda encarnam Moronguinho, 54 anos, quando está sobre uma moto em uma pista de motocross.

O BRMX acompanhou nesta terça-feira, 30, um treino dele no Motódromo Marronzinho, em São José, na Grande Florianópolis, Santa Catarina.

O veterano está se preparando para participar com dignidade da Corrida dos Campeões, que vai reunir lendas do passado em uma homenagem em meio ao GP Brasil de Motocross, no dia 19 de maio, em Penha, Santa Catarina.

Admirado com os equipamentos da atualidade – agora tem até protetor de pescoço! -, Moronguinho mostrava seu vasto sorriso o tempo todo e, falante, relembrava o passado, brincava que enquanto existem “pilotos de fim de semana”, ele agora é um “piloto do fim de século passado”.

A coragem não se apagou durante os 26 anos afastado do motocross. Quando entrou na pista nesta terça, montando uma Kawasaki 450cc emprestada por Richard Berois, foi logo mandando ver nos obstáculos. Mesas grandes, duplos, costeletas, tudo era enfrentado. Só um triplo, daqueles que você precisa acelerar até a crista para completar, ficou para trás. Mas com uma promessa:

– Vou voltar aqui na quinta-feira preparado para fazer esse triplo. Vou fazer. Preciso fazer – dizia com o entusiasmo de um menino que recém ganhou uma moto nova.

Essa lenda viva do MX nacional dispensa apresentações. Mas se você é mais novinho, aí vai um parágrafo para resumir o que Moronguinho representa na história do esporte (o nome de batismo é Pedro Bernardo Raymundo, e esse apelido vem do diminutivo do irmão mais velho, o Morongo).

Ele é gaúcho e parou de competir em 1987, depois de ter conquistado 14 títulos nacionais de motocross nas décadas de 70 e 80. Disputou provas e títulos com Roberto Boettcher, Nivanor Bernardi e Paraguaio (Álvaro Cândido Filho), além de tantos outros que ajudaram a difundir o MX em seus primórdios no Brasil. Quem viu diz que era quase imbatível na 125cc. (Veja mais no vídeo ao final da matéria)

A lesão no joelho, sofrida em 1985, contribuiu muito para o encerramento da carreira. Isso somado a falta de um esquema profissional para seguir competindo e o retorno ao convívio com a família em Garopaba, Santa Catarina, culminaram para que ele largasse as competições.

Com o passar dos anos, Moronguinho se estabeleceu com investimentos em lojas de surfe (Sul Nativo – não confunda com a Mormaii, que é do irmão dele, o Morongo) e empreendimentos imobiliários.

Jamais deixou de gostar de motocross. Em 2009, tentou andar de moto outra vez mas esbarrou na dor em seu joelho esquerdo.

– Comprei uma moto para fazer trilha, aí uns caras me convidaram pra andar em uma pista de cross lá em Garopaba, eu gostei e comprei uma moto de motocross. Mas escolhi uma joelheira que não era ideal para meu problema, meu joelho inchava demais, e eu não consegui levar adiante. Vendi a moto. Agora, voltei de novo. E estou curtindo – comenta.

A Corrida dos Campeões, organizada pela Romagnolli Promoções e Eventos, reacendeu o fogo.

– Despertou aquele vírus de novo. Estou aí novamente. Tô curtindo muito esse retorno – confessa.

O estilo de pilotagem ainda é muito parecido com o do passado, dizem. Piloto de outros tempos, Moronguinho ainda tem cacoetes como puxar a moto pra cima no momento do salto e, além do mais, precisa se readaptar a tudo. Andou a vida inteira com motos dois tempos, motos mais duras, mais pesadas, com outro tipo de bota, de calça, de capacete.

Emoções e sensações que outros pilotos também vão reviver para participar desta homenagem no dia 19, durante o GP Brasil. A lista de lendas ainda conta com Paraguaio, Bê Magalhães, Cássio Garcia, Cristiano Lopes, Eduardo Saçaki, Elton Becker, Jorge Negretti, Nuno Narezzi, Chumbinho, Rafael Ramos, Roberto Boettcher, Rogério Nogueira, Roque Colmann e Wellington Valadares.

Será imperdível. A previsão é que eles deem uma volta de apresentação, depois façam uma largada e uma corrida festiva de duas voltas, para em seguida receberem uma homenagem. Difícil é convencê-los de que o importante é participar, e não vencer.

– Eu quero pelo menos andar legal. Não quero chegar lá e fazer feio. Não é questão de ganhar a corrida, mas de andar bem. Tem cara aí que andava de moto até poucos dias! Preciso treinar! – finaliza Moronguinho, louco para voltar para a pista.

 

Moronguinho volta ao motocross – treino

 

 

Títulos do Brasileiro de MX conquistados por Moronguinho

125cc (8x)
1976, 1978, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985

250cc (6x)
1976, 1979, 1980, 1981, 1982, 1985


Curva do S, programa do Speed Channel, conta a história de Moronguinho