Mãe de piloto: como é ter um filho acelerando nas pistas?

Nas pistas de asfalto ou de terra, elas são as fãs número um dos atletas. As mães dos pilotos vivem fortes emoções nos bastidores, são elas que acompanham os filhos desde o início da carreira e sabem os desafios que envolvem o caminho até o lugar mais alto do pódio.

Para celebrar o Dia das Mães, essas mulheres falam sobre a adrenalina e o orgulho de ter um filho piloto.

 

 

Katia e Jean Ramos

 

Jean Ramos e sua mãe Kátia – Foto: Divulgação

 

Além de toda a adrenalina, Katia, mãe do multicampeão Jean Ramos, também precisa contornar a saudade. A carreira do filho, que já participou de quatro temporadas do AMA Supercross, nos Estados Unidos, dificulta que ela o acompanhe todas as provas, mas seu coração está sempre com ele.

– Controlo a saudade com telefonemas, fotos e vídeos. Sempre torço para que ele represente bem nosso país e atinja seus objetivos. Tenho muito orgulho do Jean e de todos aqui de casa, porque somos uma equipe. Sei o quanto eles trabalham arduamente nesse esporte que se tornou uma profissão exigente e séria, conta Katia.

 

 

Rose e Eric Granado

 

Eric Granado com sua mãe Rose – Foto: Divulgação

 

Ela acompanha todos os movimentos do caçula Eric Granado, desde os cinco anos de idade. Piloto de Motovelocidade, o paulista atual bicampeão do SuperBike Brasil tem hoje 22 anos e uma rotina intensa, com atividades no Brasil e no exterior.

– Ser mãe de piloto é sofrer por antecipação. Conheço os trejeitos dele e sei quando ele está bem ou quando não está. Sempre rezo bastante para que só aconteçam coisas boas,  conta Rose Granado.

Para ela, um dos momentos mais marcantes foi quando Eric conquistou o título do Europeu de Motovelocidade, na Moto2, em 2017.

– Independente da carreira, as mães têm que acreditar no potencial dos filhos e incentivar. Acima de tudo, queremos ver nossos filhos felizes, complementa.

O filho reconhece a importância de Rose em sua carreira.

– Tive muita sorte desde pequeno de ter o apoio da minha mãe. Ela trabalha comigo e muita coisa não aconteceria sem a presença dela. Fico muito lisonjeado em tê-la por perto. E se não acelero direito, ela fica brava, brinca Eric Granado.

 

 

Neila e Tunico Maciel

 

Tunico Maciel com sua mãe Neila – Foto: Divulgação

 

Uma mãe que nunca imaginou o filho piloto de moto é Neila Maciel. Hoje, ela é fã número um do atual campeão do Rally dos Sertões, o Tunico Maciel.

– Um dia ele chegou e me disse:

– Mamãe, você vai ter muito orgulho de mim com a moto. De fato, isso está acontecendo.

– Com o passar do tempo, vi que que ele realmente gosta do que faz, se dedica bastante e com muita responsabilidade. Espero que ele sempre continue sendo essa pessoa humilde e que traga muitas alegrias e emoções, ressalta Neila.

Com ótima relação com a mãe, o mineiro Tunico revela que gosta de ser mimado.

– Moro junto com ela, que sempre faz o que eu adoro comer. Por conta dos treinos e corridas, nem sempre é possível dar a atenção necessária. Mas ela entende que é a minha profissão. A aceitação no começo não foi fácil e meu pai chegou a me dar escondido uma moto. Aí ela viu que fui evoluindo e começou a gostar do esporte. Hoje ela conta para as amigas que é mãe de piloto e sempre que tem uma prova por perto, ela vai, evidencia.

Tunico recentemente se formou em Engenharia Agrícola, também com apoio e incentivo da mãe.

 

 

Cleudiva e Bárbara Neves

 

Bárbara Neves e sua mãe Cleudiva – Foto: Divulgação

 

Desde criança, a goiana Bárbara Neves, piloto de Enduro FIM, sempre frequentou trilhões e corridas de moto para acompanhar o pai.

– Tudo aconteceu de forma sequencial. Ela começou a brincar com a moto, passou a participar de competições e para mim foi algo natural, relata a mãe Cleudiva Neves.

Já Bárbara, que neste ano se tornou a primeira mulher piloto oficial da Honda no Brasil, lembra a preocupação da mãe.

– Ela perguntava se tinha certeza que era isso que eu queria. Quando sofria alguma queda, ela sempre dizia que não ia mais me deixar competir. Mas eu falava que era a coisa que mais gostava de fazer na vida. Aí não teve jeito. Hoje ela torce e grita, inclusive já até passei vergonha por isso, conta a campeã latino-americana feminina de Enduro FIM.

– Admiro minha filha pela dedicação, por ser uma linda mulher e superar muitos homens nesse esporte. Sempre que posso estamos juntas, mas devido ao trabalho e aos outros filhos menores não dedico toda a atenção que gostaria a ela. Mas eu acompanho tudo, compartilho os vídeos e resultados. Sou mãe coruja, finaliza Cleudiva.

 

 

Otilia e Leonardo Souza

 

Leonardo Souza e sua mãe Otília – Foto: Divulgação

 

A conexão do piloto Leonardo Souza, com a mãe Otilia é intensa.

– Ele é o meu mais novo, temporão, e chegou logo depois que passei por uma cirurgia no coração. Havia a possibilidade de nem eu e nem ele sobrevivermos, mas felizmente estamos aqui, e o Leo é o orgulho de toda a família, diz Otilia, que é um pouco conselheira, psicóloga, enfermeira e faz de tudo para ajudar o filho a seguir em frente no seu sonho.

Além de mãe de piloto, ela é integrante da equipe, responsável pela alimentação de todos no centro de treinamento e também durante as corridas.

– Desde 2018 trabalho com o time e isso é muito bom, porém a ansiedade aumenta. Não só pelo Leo, mas por todos os outros meninos. Acabei virando mãe de todos, destaca Otilia.

– Ter a minha mãe por perto é uma motivação a mais para mim. Não me sinto mais pressionado por isso, já que durante os treinos e corridas agimos de forma profissional. Sempre que podemos, estamos juntos e agradeço muito por ela me apoiar, completa o catarinense Leonardo.

 

 

Ivone Fietz, Lui André, Ana Cláudia e Luis Felipe

 

Família Fietz com sua mãe Ivone. – Foto: Divulgação

 

Se ver um filho correndo sobre duas rodas já causa aperto no coração de qualquer mãe, imagina a ansiedade multiplicada por três. Esse é o caso de Ivone Fietz, mãe de Lui André, Ana Cláudia e Luís Felipe. Todos pilotos, claro. Ah, o marido Artur José também corre, foi o responsável por apresentar os caminhos de terra aos sucessores.

– Já passei por situações bastante complicadas com eles, após acidentes com fraturas, por exemplo. Então, muitos criticam, mas sei que esse esporte sempre vai ser a vida dos meus filhos. A adrenalina está no sangue e isso nunca ninguém vai tirar. Por isso, estou aqui para sempre apoiar a felicidade deles, destaca Ivone.

A família Fietz é envolta por adrenalina há mais 20 anos, iniciando pelas competições de enduro regularidade de Artur e passando pelo motocross e velocross com os pequenos.

– Vou à todas as provas que posso. Nas largadas meu coração fica a mil, então peço proteção e faço o sinal da cruz: que os anjinhos os protejam e iluminem, conta a mãe.

Questionada sobre os ingredientes que compõe a vida de uma mãe de piloto, ela foi categórica:

– É gritar, rezar, torcer, vibrar. É chegar no gate e falar pro filho vai devagar, mas ganha! destaca, em tom descontraído.