Lucas Dunka: campeão catarinense em 2016 sonha em correr no AMA Motocross

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Lucas Dunka em 2015, na Copa Brasil de Motocross – Fotógrafo: Mau Haas / BRMX

 

Na maioria das vezes, são os grandes campeões nacionais que ganham destaque. Histórias de superação, de pilotos amadores, muitas vezes ficam no vácuo. Sim, é um mea culpa, e por isso hoje vamos contar a história de um atleta que nem sempre está sob holofotes.

Lucas Dunka é um catarinense cabeludo de 18 anos que chamou a atenção do BRMX pela primeira vez em 2015, durante a final da Copa Brasil de Motocross, em São José, Santa Catarina. Lá estava Antonio Cairoli para uma corrida no Brasil – fato assustadoramente real -, mas também estava um cara de moto dois-tempos mandando entortadas de respeito no salto triplo.

A galera vibrava quando TC222 passava. E vibrava quando o #34 entortava. O som 2T aliado ao visual de um “desconhecido” dando seu show particular, mexiam com os espectadores. Era Lucas Dunka brilhando como coadjuvante de uma corrida nacional.

Natural de Piçarras, no litoral norte de Santa Catarina, o garoto é alto, caminha com os cabelos soltos ao vento e estampa um sorriso largo na face. É filho do mecânico Renato Dunka, o Pezão, e da artesã Edir Moraes. Nasceu e foi criado num sítio, aonde mora, treina e seu pai tem oficina até hoje.

O início no motocross é bem parecido com muitos que leem o BRMX. Seu pai curtia o esporte, então, o pequeno Lucas teve contato com as motos da oficina e, o irmão oito anos mais velho – Rafael Dunka – sempre foi apaixonado por MX. E a vontade de correr motocross moveu a vida da dupla.

Quando Lucas tinha três anos, ele e Rafael – na época com 11 anos – começaram a pilotar. Os dois dividiam moto até nas categorias maiores – 55cc, 65cc e 85cc – porque a família não conseguia bancar uma estrutura completa. E até hoje, em corridas do Catarinense, não é raro um emprestar a moto para o outro em caso de quebra.

– Desde pequeno isso acontece. A moto não chegava nem esfriar. Um descia e o outro já subia pra correr. Esse ano aconteceu de novo. No Catarinense, em Ituporanga, eu tava com minha 125 dois-tempos, mas choveu muito, e a 125 é ruim de andar no barro. Aí peguei a 250 dele pra andar – lembra.

 

As conquistas

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Participando do Arena Cross em Jundiaí – Fotógrafo: Mau Haas / BRMX

 

Na categoria 55cc, Lucas conquistou o vice-campeonato no Supercross Noturno de Santa Catarina e foi campeão da Copa Litoral de Motocross. Na 65cc, foi campeão da Copa ASW de Motocross. Na 85cc, ganhou a Copa Norte de Motocross.

Neste ano de 2016, chegou ao maior triunfo da carreira. Foi campeão catarinense de motocross nas duas principais categorias, MX1 e MX2. Na etapa final, realizada nos dias 15 e 16 de outubro, em Jaraguá do Sul, correu com motos dois-tempos contra pilotos que são destaques no cenário nacional, como Jetro Salazar, Pepê Bueno, Leonardo Souza, Leandro “Pará” Davids, Leonardo Almeida e Carlos Badiali.

– Na MX2, andei de 125 (uma Yamaha do ano 2006) e terminei em terceiro, atrás do Leo Souza e do Pepê. Na MX1, andei com uma 250 dois-tempos emprestada, que já foi minha, e terminei em sexto. Levei uma pedrada no pulso na largada e não conseguia usar a embreagem. Mas foi bom, ganhar os títulos foi muito legal – disse.

Encarar competições oficiais com uma moto dois-tempos em 2016 pode parecer loucura. Mas no caso de Dunka é uma necessidade. Ele até tem uma 250 quatro-tempos, mas como a manutenção é muito cara, ele segue para muitas corridas com sua 125 que já tem dez anos de estrada.

– Não tenho condições de manter uma quatro-tempos. Dois-tempos vai mais de boa. Pra fazer o motor da 2T custa R$ 1.000, enquanto na minha 4T 2014, só pra fazer o motor, a manutenção preventiva, custa R$ 5 mil. É muita diferença – calcula.

Ele vai de 2T mesmo. Até no Arena Cross, modalidade que Lucas disputou todas as etapas em 2016, tem registrado seu melhor resultado – 7º lugar em Campinas, São Paulo – correndo de 125cc na MX2. E na primeira etapa, em Jundiaí, São Paulo, classificou em segundo do seu grupo quando treinou com uma 250 4T.

– Também corri a primeira etapa do Brasileiro de Motocross neste ano. Mas minha moto quebrou na primeira volta do treino. Aí fui com moto emprestada do Guilherme Kyrillos, que me deu a maior força – conta.

 

O grande sonho

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No início, ao lado do pai, já com o número #34 escolhido pelo irmão por causa de um cartaz antigo colado na oficina

 

Como a maioria dos jovens de 18 anos, Dunka sonha alto. Quer ser campeão brasileiro e depois correr no AMA Motocross. Sabe que o caminho é difícil, mas mantém a esperança treinando duro.

– Priorizo o treino físico porque tenho que economizar a moto. Então, todos os dias eu treino a parte física. Com a moto, só duas vezes por semana. Também tomo cuidado com a alimentação. Tenho uma nutricionista, a Cíntia, que inclusive é uma das minhas apoiadoras. E tenho um amigo, o Roberto Carlos, que é personal e me orienta nos treinos físicos – relata.

Além deles, Dunka conta com outros apoiadores, que são importantes para manter esta esperança brilhando.

Este ano ganhei apoio da IMS Racing, e tenho alguns patrocinadores/amigos aqui da minha cidade, como o Mauri, que me ajuda com inscrições, gastos com gasolina, o Luciano, que me leva pra algumas corridas, a Serralheria Piçarras, do Franciel, que também me ajuda com gasolina, o Samuel, o Clio Luconi e a loja Race Parts – lembra.

Ainda em 2016, Lucas Dunka deve correr a etapa final do Arena Cross (sem data e local definidos). Deseja terminar entre os cinco na bateria única da MX2 para ver se chama atenção de uma grande equipe que lhe dê oportunidade para brigar entre os ponteiros.

 

Lista de títulos de Lucas Dunka

2009 – Copa Litoral MX (55cc)
2010 – Copa ASW de Motocross (65cc)
2012 – Copa Verão de Motocross (85cc)
2013 – Copa Norte Catarinense de Motocross
2014 – Copa Verão de Motocross (MX1, MX2 e Intermediária)
2014 – Copa Grillo de Motocross (MX2, Intermediária e 2T)
2015 – Copa Verão de Motocross (MX1, MX2 e Intermediária)
2016 – Catarinense de Motocross (MX1 e MX2)

 

Mais fotos

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Ao lado de Mega, da TBT, com a suspensão de sua 125cc

 

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Scrubando durante o Catarinense MX – Fotógrafo: Mau Haas / BRMX

 

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Em cima da primeira moto do irmão

 

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Os primeiros anos de rolê

 

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Com o pai, sempre companheiro