Jeffrey Herlings fala das expectativas para sua participação no AMA Motocross

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Absoluto na MX2, Herlings vai em busca de novos desafios nos EUA – Foto: Ray Archer

 

Quando o campeão Mundial da MX2, Jeffrey Herlings, decidiu correr uma etapa do AMA Motocross, em Unadilla, nos Estados Unidos, certamente arrancou aplausos dos amantes do motocross. A etapa ocorre no dia 9 de agosto, e o mundo inteiro mal pode esperar para ver o holandês de 19 anos fazer o que sabe.

Apesar do talento de Herlings deixá-lo em posição de destaque, muitos ex-campeões mundiais de Motocross descobriram, indo para outro continente, diferentes estilos, pistas, e outro nível de competitividade, e nem sempre se deram bem. Em 1989 Jean Michael Bayle venceu em sua primeira corrida no AMA mas, desde então, ninguém foi capaz de repetir o feito de vencer na estreia em solo norte-americano. Nem Greg Albertyn, nem Sebastien Tortelli, Christophe Pourcel, Grant Langston, Joel Smets, Marvin Musquin, Ken Roczen e nem mesmo Stefan Everts.

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Não há dúvida de que o ex-campeão do AMA MX na 250, Blake Baggett, vai querer surpreender Herlings, principalmente depois que de ter lavado volta do holandês em Lommel, há alguns anos. E os jovens e competitivos pilotos do AMA também não vão querer dar ao garoto europeu a chance de subir no degrau mais alto do pódio.

Herlings tem um trabalho duro pela frente, e mesmo sendo considerado um dos pilotos mais brilhantes do motocross, ainda assim está entrando em um terreno desconhecido. Ele concedeu uma entrevista ao site MXLarge e falou sobre a sua ida para os EUA e toda a preparação, acompanhe:

 

Jeffrey, todos nós estamos animados sobre a sua decisão de decorrer em Unadilla e tentar ganhar uma rodada do AMA. Como você se sente neste momento quanto à viagem?
Herlings:
Na Europa está tudo indo muito bem no momento. Se tudo correr bem, em Loket poderei encerrar o campeonato MX2 (vencer antecipadamente). Estou ansioso para isso. Depois nos concentraremos em Unadilla. Todos estão com grandes expectativas de me ver vencer lá, e para mim, eu só quero me divertir e fazer o melhor que posso. Quero dizer, porque eu estou vencendo tanto na Europa que todo mundo quer que eu vença lá. Eu quero ir lá e ganhar, mas é tudo novo para mim e eu não conheço o campeonato deles. Vamos para lá fazer o nosso melhor e, claro, vencer seria tornar um sonho realidade.

Sabendo como Ken Roczen passou trabalho na mudança para a América, você leva isso em conta? Você sabe que não vai ser fácil.
Herlings:
Tudo lá é diferente, a corrida é agressiva desde o começo, na Europa são menos agressivos na largada. Só vou estar lá para uma corrida, por isso vai ser difícil. Eu não sei o que esperar. Sempre que europeus vão para lá é um pouco difícil. Vou simplesmente ver o que acontece.

Ouvi dizer que você só vai chegar na tarde de sexta-feira, isso é verdade?
Herlings: Sim, é verdade. Temos Lommel na semana anterior e estamos falando a respeito disso. A diferença de fuso horário é de seis horas, por isso vamos voar na sexta-feira, assim eu estarei cansado quando chegarmos e poderei dormir cedo. A corrida começa cedo no sábado e então estarei pronto para correr. Só vou estar um pouco cansado pela diferença de fuso, e domingo à noite já voamos de volta. Então tudo isso é uma estratégia para evitar o jetlag (cansaço de viagem com alteração de fuso) indo tarde. Nós fizemos isso para correr no Catar e na Tailândia e até agora tem funcionado bem.

As diferentes condições serão um grande obstáculo. O que você está esperando, tanto em relação às condições do clima, traçado, moto? É tudo diferente, de qualquer ângulo que você olhe.
Herlings: Não sei como vai ser o clima, mas já está calor na Europa e acho que quanto a isso não vai ser tão diferente, e também as motos são semelhantes. Não vou usar a mesma moto que corro na Europa, vai ser a moto que eles usam na América. Vou correr com o combustível deles, o motor e o escapamento deles. Vou levar Stefan (Everts) comigo e meus dois mecânicos, por isso vou ter a equipe normal comigo. As motos americanas são geralmente melhores com o combustível e os escapamentos deles, então vou usar a minha própria suspensão e não terei problemas. Vou pilotar a moto pela primeira vez no sábado. Não tenho problema para me acostumar com as motos, estou acostumado a correr tanto com 350cc e 250cc, então acho que vai ficar tudo bem.

 

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Jeffrey Herlings – Foto: Youthstream

 

Unadilla é um clássico circuito da escola antiga, e muito similar ao que se tem na Europa. Você deu uma olhada na pista no Youtube ou coisa assim?
Herlings: Assisti vídeos da pista sim, com certeza. Estou focado para a corrida de Unadilla. Na semana passada, na Finlândia, eu forcei até a última volta porque sei que na América eles correm forte até o fim e estão em grande forma. Estou trabalhando duro para fazer o meu melhor lá. A pista parece um pouco com as da Europa, em meio a natureza, canaletas profundas. Nunca corri lá, mas estou animado e é uma nova concorrência. Dei uma olhada na pista mas a cada ano fica diferente, nunca é igual, mas tive uma boa impressão.

É realmente um grande desafio, completamente desconhecido. Isso não o deixa nenhum pouco assustado?
Herlings: Não sei o que esperar, é tudo novo. Na Europa eu conheço as pistas e os pilotos. Estarei nos EUA apenas para uma corrida, então eu não tenho tempo para me acostumar. Só quero chegar lá e fazer o meu melhor, e sei que quando cair a trava do gate vai ser como na Europa.

Mudando um pouco de assunto, existe alguma chance vê-lo correr em uma 350cc em um GP se você ganhar em Loket. Talvez em Lommel?
Herlings: Não, correr com uma 350cc em Lommel não é uma possibilidade. Vou correr em Loket na 250 e depois de Lommel, em Unadilla, na 250 também, consequentemente em Lommel também. Em 2015 eu vou estar de volta na 250, de modo que não faz sentido correr na 350 no México ou no Brasil. Não tomei nenhuma decisão definitiva até agora, mas não me vejo correndo o mundial com uma 350cc ainda.