Joel Smets quer saber como os pilotos vivem, o que eles comem, para poder treiná-los melhor na sua volta à KTM

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Troca de camisas: Everts vai para a Suzuki. Smets chega na KTM – Crédito: Eric Sandra

 

Cinco vezes campeão mundial, Joel Smets fará um retorno emocionante para a KTM no final deste mês de setembro, quando assumirá o papel de diretor da equipe de fábrica. Aos 46 anos, Smets deixará seu cargo atual, de gerente da Rockstar Energy Suzuki e passará para o lado laranja a partir do dia 1º de outubro. O belga falou pela primeira vez sobre os parâmetros de seu novo trabalho ao jornalista inglês Adam Wheeler, da revista Otor, parceira do BRMX.

– Para simplificar, eu gosto de sentir e viver o esporte, ficar envolvido no treinamento físico e sentir a pulsação dos pilotos. Eu quero saber como eles trabalham, acho que se você quiser ajudá-los quando o gate cai, então você precisa saber como eles estão vivendo e como passam a semana. Acho também que é esse tipo de pessoa que a KTM está procurando – disse Smets.

O belga também vai coordenar a nova instalação da oficina que a KTM está preparando na Bélgica, onde os pilotos Antonio Cairoli, Glenn Coldenhoff, Jeffrey Herlings, Pauls Jonass, Shauan Simpson e o time da EMX125 passarão parte do ano de competições.

– Precisamos ver como tudo vai funcionar entre nós. A instalação na Bélgica ficará sobre minha responsabilidade, mas não é algo totalmente novo para a KTM, então eu acho que só preciso supervisionar e ter um vínculo mais forte com a Áustria e seu programa. A KTM tem pessoas muito competentes e técnicas ao seu lado, como o Dirk Gruebel (chefe de equipe da MX2) e o Claudio De Carli (chefe na MXGP). Meu foco será nos pilotos e na parte esportiva. Coisas como planejar o ano, quando vamos treinar físico, quando começaremos a correr, a frequência, o treinamento, e estar em contato com os preparadores físicos e descobrir como eles vêm preparando os pilotos nos anos anteriores, para analisar e ver se podemos mudar alguma coisa onde posso agregar minha experiência. Teremos que fazer várias pesquisas a partir do dia 1º de outubro. Eu não quero entrar e dizer “ok pessoal, é assim que vamos fazer”, caso contrário, estaríamos perdidos logo no primeiro dia. Espero que eu possa analisar, acrescentar ou modificar algo e trazer minha experiência – comenta.

Smets retorna para a KTM oito anos após sair para correr de Suzuki, em 2004. Nas amarelinhas, ele também teve cargo de chefe de equipe até 2015.

– Eu não sinto que estou saindo. Nós temos um bom grupo. Acredito que tenha sido um bom ano, apesar das lesões de Kevin Strijbos. Glenn conquistou essa vitória inesperada, Jeremy Seewer está bem e Brian Hsu reforçou. Acredito que fizemos um bom trabalho e é um pouco triste deixar tudo para trás, mas ao mesmo tempo estou feliz com a oportunidade que apareceu na KTM, e sinto como se estivesse voltando para casa – diz.

Ele também comentou sobre a motivação de estar novamente na KTM e sobre sua posição com o rival Stefan Everts, que deve tomar posse do cargo na Suzuki, após compra da equipe de Sylvain Geboers.

– Deixei a KTM em 2003 e naquele período eu estava pensando na minha carreira. Eu sabia que tinha mais dois anos e a KTM estava se desenvolvendo e eu acreditava que haveria um cargo para mim depois. Ao sair, eu tinha a sensação de que não estava apenas entregando minha moto, mas também um cargo após aquilo. Stefan entrou em 2007 e eu tinha certeza que aquele seria o meu lugar. Eu estava muito orientado pelo esporte quando fiz a troca, focado em resultados. Foi uma decisão rápida, que nunca me arrependi, porque foi a primeira vez que estava com uma fábrica japonesa, estava muito entusiasmado e motivado. Estou feliz e agradeço a Sylvain por me abrir espaço para trabalhar na Suzuki – finaliza.

 

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KTM 520 SXS de Smets em 2003 – Crédito: Mitterbauer H.

 

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Smets competindo pela KTM em 2003, ano que foi vice-campeão mundial (perdeu para Everts) – Crédito: Hodgkinson A.

 

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Smets na época de piloto KTM, em 2003 – Crédito: Hodgkinson A.