Inspirado em Roczen e Webb, Pepê Bueno faz planos para correr o AMA Motocross em 2016

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Primeira vitória na MX2 veio em Tapejara – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

Aos 18 anos de idade, Pepê Bueno venceu pela primeira vez uma etapa na categoria MX2 do Brasileiro de Motocross – em Tapejara, Rio Grande do Sul, no dia 8 de novembro de 2015 – mas há tempos vinha mostrando potencial para andar na frente. No ano passado, fez holeshot, liderou algumas voltas, mas a vitória escapava no decorrer das provas.

Depois de dois anos de treinos nos Estados Unidos, o piloto voltou ao Brasil com a missão de conquistar o campeonato brasileiro nas duas principais categorias. Pela idade, ainda tem mais cinco anos de MX2, e depois pode tentar a sorte na MX1. Tem tempo e potencial, além de se dedicar muito, para realizar estes sonhos.

Atualmente corre à bordo de uma KTM 250F, patrocinado pela Pro Tork e com apoio total dos pais – Fábio e Roberta -, proprietários do Feirão MX, loja virtual de motopeças. É simpático, trata bem as pessoas, convive amistosamente com os outros pilotos e, detalhe importante, já foi o “Rei do Bolão BRMX” em 2012 😆

Nesta semana, o piloto concedeu esta entrevista por e-mail, falando dos treinos, da alimentação, dos desejos, e da intenção de participar do AMA Motocross no próximo ano. Confira!

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BRMX: Como começou a tua história com a moto? Teu pai andava de motocross? Ele que te influenciou?
Pepê Bueno: Começou quando parei em um parque e estava tendo uma corrida. Eu tinha quatro anos. Meu pai se informou com alguns pais do pilotos (sobre o esporte), e no dia seguinte comprou uma moto para mim! Eu já era louco por moto. Meu pai sempre ia em corridas, na época do Jorge Negretti, Paulinho Stedile, mas andar mesmo ele nunca andou! Ele me influenciou desde o começo porque amava aquilo!

BRMX: Qual seu ídolo no motocross?
Pepê Bueno: Meus ídolos são Ken Roczen e Cooper Webb.

BRMX: Qual seu sonho como piloto?
Pepê Bueno: Ser campeão brasileiro de motocross nas categorias MX1 e MX2.

BRMX: Você foi morar nos EUA um tempo. Quando foi? Quanto tempo ficou lá? O que você aprendeu de diferente?
Pepê Bueno: Fui em 2013 e fiquei até final de 2014. Aprendi muitas coisas, muitas técnicas que hoje uso aqui no Brasil e que me ajudam muito. Tenho certeza que muitos não sabem (estas técnicas). Morei um ano com Rodney Smith e um ano no MTF (Millsaps Training Facility). São experiências que nunca vou esquecer. Amo aquele país (EUA). E o que mais me ajuda hoje em dia é que morei sozinho lá, e aprendi a me virar, a mexer na moto e tudo mais! Então, hoje eu sei o que está acontecendo com a moto, e sei ajustar e deixar ela como eu quero na parte de motor e suspensão.

BRMX: Existe algum plano para correr o AMA em 2016? Conte qual é a ideia?
Pepê Bueno: Tenho um plano para fazer duas etapas do AMA Motocross em 2016, na categoria 250. Objetivo é fazer a primeira etapa, em Hangtown, e depois em Glen Helen, mas isso tudo não passa de plano. A vontade é grande, mas preciso de apoio financeiro. É um sonho correr com os melhores. Tem uma grande possibilidade. Agora é deixar nas mãos de Deus.

 

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Pepê no Mini Os, nos Estados Unidos, em 2014 – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

BRMX: Como é sua rotina atual de treinos?
Pepê Bueno: Minha rotina tem treino com moto de três a quatro vezes por semana. Academia e natação todos os dias, e dependendo do dia faço bike em casa mesmo para reforçar algumas coisas.

BRMX: Você iniciou uma preparação com Davis Guimarães nos últimos dias. O que mudou? É necessário ter um treinador no Brasil?
Pepê Bueno: Muitos pilotos não tem treinador, mas acho que só tem a somar. O Davis me ajudou bastante a organizar minha rotina e ter um foco maior. Tenho ele como espelho, a gente se fala 24h por dia e eu confio muito nele. Tudo que vou fazer passo por ele primeiro, e sempre acredito na palavra dele, Ele está sempre me ajudando, principalmente na parte de alimentação e no preparado mental. Eu fui acostumado com treinador desde pequeno, então ficar sem alguém do lado me faz falta.

BRMX: O que acha mais importante fora das pistas?
Pepê Bueno: Acho que estar sempre concentrado e ligado no seu trabalho. Não me desligo da minha moto e das coisas, sou um pouco ansioso às vezes e acabo acordando às 4h da manhã em dia de corrida, mas a cabeça não para de pensar em como vou fazer, o que vou fazer na hora que o gate cair.

BRMX: O que acha mais importante dentro das pistas?
Pepê Bueno: Dentro das pistas é importante usar a cabeça e pensar no que você está fazendo. Não jogar sujo e sempre respeitar seus adversários também é importante.

BRMX: Alguma história engraçada?
Pepê Bueno: Acho que historia engraçada é o que mais tem nesse meio. Dou muita risada com os pilotos, Jean Ramos, Thales Vilardi, Adam Chatfield. Estamos sempre juntos nas pistas, sempre tirando sarro um do outro, contando piadas, hahaha… é bom estar com eles e descontrair antes das corridas.

 

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No topo do pódio em Tapejara – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

BRMX: Em Tapejara vimos você treinando na MX1, no sábado. Por que você fez isso? Ajudou a vencer a MX2 no domingo?
Pepê Bueno: Decidi junto a minha equipe em treinar na MX1 para conhecer mais a pista. Alguns pilotos foram dias antes treinar na pista, então acho que isso me ajudou a ficar mais confortável na pista e conseguir o acerto ideal de pneu e suspensão. Sempre é bom ter mais contato com a pista no dia de corrida.

BRMX: Esta foi a melhor corrida da sua vida?
Pepê Bueno: Difícil dizer… tive várias corridas marcantes, mas acho que essa de Tapejara foi a mais marcante por ser minha primeira vitória na categoria MX2 no Brasileiro MX, e por ser no dia do aniversário do meu pai (Fábio Bueno). Foi um sonho realizado. Vencer no dia que ele nasceu! Há muito tempo isso estava na minha cabeça, que seria a etapa no dia do aniversário dele. Pensei: não posso decepcionar meu pai. Treinei muito para essa corrida e graças a Deus deu tudo certo.

BRMX: Você sempre está com sua família – pai e mãe – nas corridas. Eles vivem do motocross também? O que eles fazem?
Pepê Bueno: Estão sempre do meu lado. Minha mãe me ajuda bastante na parte de equipamento e massagem, já que ela é fisioterapeuta. Estou sempre dolorido, então, nada melhor que uma massagem antes de treinos e corridas. Ela segue a risca a minha dieta e também trabalha com meu pai no site off-road que temos (FeirãoMX – acesse aqui). Meu pai não perde minhas corridas, mas é bem difícil para ele porque ele trabalha muito nos dias de semana. Mas só tenho a agradecer a eles por sempre estarem do meu lado nas horas boas e ruins.

 

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O pai, Fábio Bueno, é o braço direito de Pepê – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

BRMX: Qual a sua estrutura de equipe? Você é piloto Pro Tork, mas é privado. Como funciona isso?
Pepê Bueno: Eu sou piloto oficial Pro Tork, mas a Pro Tork não tem sua estrutura nas corridas, os pilotos vão cada um por si. Então, no meu caso, vou com meu motorhome e fico somente com meus pais e mecânicos no box.

BRMX: Tem vontade de representar o Brasil no Nações?
Pepê Bueno: Tenho muita vontade de representar meu país. Como corri três anos nos EUA, tenho uma boa experiência em pistas com mais buracos e canaletas. Acho que eu andaria superbem. Sei que não é nada fácil quando se está lá. Espero um dia poder correr o Nações e realizar mais esse sonho.

BRMX: Como lida com amigos, motocross, trabalho, namoro, estudos?
Pepê Bueno: Maioria dos meus amigos são pilotos. Tenho poucos amigos que não são do meio do motocross. Eles entendem que tenho corrida e preciso treinar em dia de semana. Quando não tenho corrida, saio no sábado e vamos em algum bar ou jantar. Mas isso tudo apenas no sábado que não tem corrida. Depois de uma boa semana de trabalho, ninguém é de ferro. Só treinar também não dá… Na parte da tarde, dou aula para alguns alunos, então a minha semana é bem corrida. Tenho que encaixar meus horários certinho, mas amo o que eu faço.

BRMX: Tem alguma rotina de alimentação?
Pepê Bueno: Faço acompanhamento diário com a nutricionista. Todo mundo me pergunta por que faço dieta se sou magro, mas poucos sabem a diferença que faz uma boa alimentação. Davis tem me ajudado muito nessa parte para eu comer de duas em duas horas, e sempre tomar de três a quatro litros de água por dia. É bem difícil, mas faz bastante diferença.

 

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Pepê Bueno – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

BRMX: Toma suplementos?
Pepê Bueno: Tomo alguns suplementos, mas nada de mais… BCAA e Whey Protein para ajudar a recuperar meus músculos.

BRMX: Sente falta de uma vida sem pressão, sem o compromisso dos treinos? Gostaria de ter outra profissão?
Pepê Bueno: Eu escolhi isso para minha vida, amo o que eu faço. Essa rotina às vezes cansa, mas é normal. Não trocaria por nada essa profissão.

BRMX: Tem alguma história que gostaria de esquecer?
Pepê Bueno: Traumas são coisas que todos pilotos têm. Mas, infelizmente, faz parte do nosso esporte e temos que estar preparados para tudo. É um esporte de surpresas, exige muito do piloto e da moto. Uma falha mecânica pode nos prejudicar também. Tenho algumas fraturas com o motocross, a última foi no ano passado, e fiquei quatro meses parado porque fraturei a mão direita. Demorei praticamente dez meses para voltar à minha velocidade atual.

BRMX: Espaço aberto para você falar o que quiser.
Pepê Bueno: Queria agradecer vocês do BRMX pelo espaço, queria agradecer todos que estão comigo durante esse ano, meus pais, meus mecânicos Eliel Hubner e Duh Oliveira, Serginho Mello, meu treinador Davis Guimarães, meu personal Everton, e a todos meus amigos que torcem por mim. Meus patrocinadores, a Pro Tork, Feirão MX, KTM Sacramento, 5inco e Serginho Suspension.

 

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Pepê Bueno – Crédito: Mau Haas / BRMX