Futebol e Motocross – Ronaldo Fenômeno tem muito a ensinar ao motocross brasileiro

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Você sabe o por que o motocross no Brasil está longe de ser tão respeitado quanto o futebol? Um dos motivos ficou bem claro na noite de ontem – terça-feira, 7 de junho –, com toda a festa que o “esporte mais popular do país” fez para se despedir de um ídolo.  Aliás, a única semelhança entre ambas as modalidades parece estar na má gestão de suas confederações e, consequentemente, nos escândalos envolvendo seus dirigentes.

Para início de conversa, os apaixonados pelo motocross devem parar de tentar diminuir um para valorizar o outro. Honestamente, esta “dor de cotovelo” não leva a lugar algum. Se o futebol tem o predomínio nos meios de comunicação é porque conquistou tal espaço. O outro passo é tentar aprender com os acertos – e também com os erros – do futebol para alcançar o respeito próprio e também de investidores.

A Nike, por exemplo, pegou carona na mobilização nacional durante toda a semana que antecedeu a despedida de Ronaldo – camisa 9 da Seleção Brasileira de Futebol – para exaltar a importância que esse jogador teve para o país e para milhares de cidadãos brasileiros nas quase duas últimas décadas. Alguém duvida disso?

A marca lançou um vídeo que aponta o jogador como um divisor de águas entre o que era o futebol e no que se tornou o futebol com a Era R9. Assista abaixo e tire suas conclusões!

Agora, o que o motocross tem feito por seus ídolos em quatro décadas de história no Brasil? Eu diria: pouca coisa. Para não ser tão pessimista e afirmar: NADA.

Um bom exemplo disso tudo me ficou claro no momento em que presencie Christian Fittipaldi – ex-piloto de Fórmula 1 e Fórmula Indy – dando a bandeirada na Race 1 da categoria MX1 durante o GP Brasil 2011 disputado em Indaiatuba, no mês passado.

 

Futebol e Motocross
Christian Fittipaldi – Crédito: Elton Souza / BRMX

 

Tudo bem, você pode me lembrar que se trata de um ato de cavalheirismo e que o Pelé já teve a honra de agitar a bandeira quadriculada no GP Brasil de F-1, em Interlagos.

Putz, Pelé ficou conversando e… já foi? “Passaram tão rápido que o Pelé não viu”.

Acontece que Onílio “Kiko” Cidade, presidente da Federação Catarinense de Motociclismo (FCM), comentou durante a “movimentada” Assembléia Extraordinária da CBM, em Campinas, São Paulo, que no dia anterior, durante o GP Brasil de Motocross, ele e Pedro Bernardo Raymundo, o “Moronguinho”, tiveram dificuldades de acessar algumas áreas dentro da estrutura do evento. Kiko constatou: é assim que tratamos um dos maiores campeões do nosso esporte.

Kiko contou ainda que minutos mais tarde, Edinho, ex-goleiro do Santos e filho do Pelé, chegou ao evento e recebeu tratamento diferente. “Ele teve acesso liberado imediatamente, enquanto eu precisei peitar seguranças para poder me deslocar em algumas áreas da pista”.

Ao lado de Milton “Chumbinho” Becker, Moronguinho conquistou o maior número de títulos do motocross brasileiro: 14 cada um. Esses dois personagens já fazem parte da história do esporte nacional ao lado de outros nomes – vou evitar as injustas relações que sempre acabam contestadas. Mas, a memória do motocross brasileiro é curta, e a maioria dos pilotos encerra suas carreiras no anonimato.

O motocross deve aprender com o futebol a criar e valorizar seus R9s tal qual é feito na Europa e nos Estados Unidos – RC4; JS7; JM2; KR94; AC222 etc. Pode-se iniciar imediatamente, com AB3; LS14; WG21; RL38; DL338; SW777 etc. Para um dia se festejar as carreiras bem sucedidas de EL2; KM9 e tantos outros que estão por vir.

E nossa responsabilidade nisso tudo?

O BRMX tem criado iniciativas inéditas no Brasil para valorizar a história do motocross nacional. A Galeria de Campeões e a coluna Baú do Café são algumas delas, mas sabemos que muito mais pode ser feito.

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Postado por Elton Souza

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