Erklin Maninho Leite aprendeu espanhol e conquistou a amizade de Carlos Campano


Maninho é responsável pelo cuidado com a YZF450 de número 115
– Foto: Elton Souza / BRMX

O BRMX estreia nesta segunda-feira, 19 de março, sua série de reportagens “Homem por trás da máquina” no qual contará as histórias de personagens responsáveis por dar sentido ao conjunto piloto-moto. São profissionais que cuidam dos detalhes mecânicos – e também eletrônico, com o avanço tecnológico – das motos, mas, que muitas vezes fazem o papel de preparador físico, nutricionista, psicólogo e, principalmente, amigo.

– O mecânico é o profissional que deixa de viver a própria vida para viver exclusivamente a vida de outra pessoa, nesse caso, o piloto – descreve Erklin Leite, o Maninho.

Aos 28 anos, Maninho é responsável pela moto do espanhol Carlos Campano – Yamaha Grupo Geração Monster Energy Circuit – com o qual vem nutrindo uma amizade que vai além dos boxes e pistas. Eles se falam todos os dias, praticam exercícios físicos juntos e trocam experiências.

– Campano é igual a qualquer piloto brasileiro com quem trabalhei, com a diferença de que ele se preocupa muito com o bem-estar do mecânico. Ele está sempre atento se eu estou bem alimentado, com uma boa noite de sono e contente com o serviço – conta.

Ele continua:

– Profissionalmente falando, Campano já traz a solução para o problema. Ele sabe exatamente o que deve ser feito para obter o resultado que precisa, além de conhecer seus limites e os limites da moto – descreve.

Nascido em São José, na Grande Florianópolis, Maninho iniciou sua carreira profissional em oficinas mecânicas aos 19 anos. Se especializou em motos de rua e trabalhava na Geração Motos – concessionária Yamaha – quando surgiu o convite para assumir as tarefas no meio off road com os pilotos Victor Feltz e, posteriormente, Gabriel Gentil. 


Maninho e Campano garantem que a amizade pode ser compartilhada além dos boxes e pistas – Foto: Elton Souza / BRMX

Maninho é um profissional que está sempre se atualizando e gosta de aprender novos idiomas. Foi estudar inglês para buscar a representação da RG3 Suspension no Brasil e, recentemente, sua aptidão de aprender rapidamente o espanhol garantiu a simpatia de Campano.

– No início, ele conversava somente comigo e com o Cacau (Manoel Carlos Hermano), pois dizia que só conseguia conversar com a gente – conta Maninho.

Agora, Campano já compreende as palavras em português, concede entrevistas em um portuñol, mas, quando está com Maninho, o diálogo é sempre na língua materna do piloto.

– É muito fácil trabalhar com Maninho. O conheci no ano passado e fiquei mais tranquilo quando recebi a proposta de correr no Brasil, pois minha maior dúvida enquanto estava na Espanha era saber qual a qualidade os profissionais que encontraria no Brasil – revela o piloto.

Qual a diferença, Campano?

– O cenário Brasil e Espanha são bastante distintos, pois lá (Espanha) temos muito mais material. Porém, aqui no Brasil, Maninho deixa minha moto pronta sempre que necessito.

Será que Maninho já projetou trabalhar no Velho Mundo?

– Já tive o sonho de ir para a Europa, mas, agora meus objetivos estão em continuar na equipe e fazer com que a RG3 seja conhecida no Brasil tão quanto é conhecida nos Estados Unidos – afirma.

Mas, Maninho também sonha um cenário diferente para o motocross nacional.

– Acredito que nós, mecânicos brasileiros deveríamos conversar mais. Esse negócio de esconder o jogo deveria deixar de existir até porque o resultado de corrida é muito mais do que a preparação de uma moto, em minha opinião. Para mim, todo o resultado conquistado é o conjunto de fatores que conta principalmente com o estado psicológico e físico do piloto – completa.


Cuidado com a preparação da moto rendeu elogios do espanhol a Maninho – Foto: Elton Souza / BRMX