ENTREVISTA: Marcus Freitas fala do Mundial de Motocross em tempos de Coronavírus

Marcus Freitas é o chefe da equipe HRC Honda no Mundial de Motocross – Foto: HRC

 

Marcus Freitas é o brasileiro que comanda a equipe HRC Honda no Mundial de Motocross. O chefe de uma das equipes mais tradicionais do esporte mora na Itália, um dos países mais atingidos pela pandemia.

Nesta segunda-feira, 20, ele respondeu algumas perguntas do BRMX sobre o atual momento e o que pensa do futuro do esporte.

Confira!

 

Como está sua família? Como vocês têm passado estes dias na Itália, sendo que aí é um dos locais mais críticos da pandemia de Covid-19?
Estamos todos bem graças a Deus, sempre confinados e com grandes restrições para deixarmos a nossa residência. A ordem é sair somente um membro da família. Tentamos fazer isso só uma vez na semana para compras de alimentos e farmácia. E todas as vezes que saímos temos que ter um certificado do Ministério da Saúde no qual declaramos que não fomos contagiados, e explicando o motivo da saída de nossa casa.

Com o Mundial parado, você tem tido algum tipo de trabalho, algo de bastidores? Ou está “totalmente de folga”?
Estamos trabalhando normalmente em casa, mas com um ritmo menor. Não podemos parar porque devemos estar sempre em contato com pilotos, patrocinadores e toda equipe para estarmos preparados para quando tudo voltar ao normal recomeçarmos da melhor forma possível.

A atualização mais recente do calendário mostra a retomada para 5 de julho (a pergunta foi feita antes da suspensão da FIM), na Rússia. Você acredita que isso será possível?
Eu, pessoalmente, acho que será muito complicado voltarmos em julho, sendo que a próxima etapa na Rússia é necessário Visto para a maioria das pessoas do nosso paddock. Sabemos que os organizadores locais estão otimistas e trabalhando para que possa acontecer a etapa do Mundial. Mas tudo depende do governo local, e a cada dia sai um novo decreto com normas a serem seguidas. Então, será muito difícil.

 

Marcus Freitas em trabalho durante o Mundial de Motocross – Foto: HRC

 

Como você imagina que será a rotina tendo que cumprir um calendário 17 etapas restantes em 5 meses?
Com o atual calendário seria 15 etapas em 16 finais de semana, um trabalho enorme para todos. Como eu disse anteriormente, todo dia tem um decreto novo. Por exemplo, na Bélgica e Alemanha foram cancelados todos eventos no país com aglomeração de gente até dia 31 de agosto. Não é nada fácil essa situação, sabemos que Infront (organizadora do Mundial) tem sempre um plano B, mas não podemos saber qual será. Nós estamos seguindo todas instruções oficias em modo de estarmos preparados ao momento certo.

Os pilotos estão totalmente sem treinar? Que conselho você tem a dar aos pilotos brasileiros que estão na mesma situação? Como estar preparado quando o campeonato recomeçar?
Mitch Evans voltou para Austrália, onde está se recuperando de uma cirurgia no ombro, e sua recuperação está sendo muito positiva. Tim Gajser, depois do anúncio do FIM #bikeonstand ou #bikeinsidethegarage ele está trabalhado internamente na sua academia, e usando a MTB sempre que possível. Felizmente, na Eslovênia a situação do Covdi-19 não está crítica. Nesse momento, devemos tomar muitas precauções porque se os pilotos continuam a treinar em ritmo acelerado podem sofrer algum acidente ou lesão, e isso seria um risco porque nesse momento os hospitais estão em um grande caos devido à pandemia. Não estou sabendo das recomendações da CBM aos pilotos quanto ao uso das motocicletas, mas o que posso dizer seria que eles continuassem com os treinos físicos em casa, com moderação, em modo que quando tudo voltar ao normal eles não tenham perdido seus condicionamentos físicos.

O quanto você acha que isso tudo vai abalar no andamento geral do Mundial de Motocross? O que vamos perder? Podemos tirar algo de positivo?
Com certeza não será um ano positivo para todas disciplinas, inclusive a do nosso Mundial de Motocross. Indústrias em geral, como alguns patrocinadores, poderão passar por dificuldades, o que vai refletir no futuro em pequenos e grandes times. Acho que o esporte, infelizmente, terá mais a perder com essa pandemia. A economia será abalada e o esporte fará alguns passos para trás em alguns aspectos. De positivo, seria a solidariedade entre as pessoas que nesse momento está sendo muito importante, e que iremos passar por essa situação com saúde e aprendizado. Infelizmente, no mundo aconteceram muitas perdas, e o que desejo à essas famílias nesse momento difícil é que Deus conforte o coração de todos.

Para finalizar, já houve boatos por aqui que a HRC poderia investir em uma equipe no Brasil. Isso seria algo possível ou é uma ideia totalmente fora de cogitação?
Sabemos que a Honda na América do Sul tem um mercado muito importante, mas desse boato não tenho nenhum conhecimento e, infelizmente, não sei se seria possível ou fora de cogitação ao mesmo tempo.