ENTREVISTA: Machito fala sobre como é ser piloto privado no Brasil

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Machito na abertura da Copa Brasil de Motocross – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

Há quatro anos no Brasil, o piloto venezuelano Humberto “Machito” Martin já é quase um brasileiro de verdade. Fala português fluentemente, namora uma brasileira, gosta do Brasil, quer ficar por aqui por muito mais tempo.

A oportunidade de vir correr no país surgiu pela equipe satélite Itamaracá One Racing, em 2012. No ano seguinte, em 2013, Machito fez parte da equipe Yamaha Grupo Geração, e nos dois últimos anos seguiu no Brasil como piloto privado, correndo primeiramente de Kawasaki e depois de Honda. Fez como muitos brasileiros que batalham para se manter na ativa. Montou sua estrutura, buscou patrocinadores e segue competindo nos principais campeonatos do país.

Atencioso e gente finíssima, Machito atendeu o BRMX para falar das dificuldades e vantagens de ser piloto privado no Brasil. Confira!

 

Quando você veio para o Brasil, tinha a intenção de ficar tantos anos?
Humberto Martin: o primeiro ano foi bem complicado, e depois que acabou a temporada minha intenção era voltar para a Venezuela porque não tinha uma outra oferta. No fim do ano acabou chegando uma oferta, e aí naturalmente foi acontecendo, todos os anos foram dessa maneira. No Brasil, a maioria dos contratos é por um ano, então sempre que chegava no final da temporada ficava essa dúvida, não sabia o que ia acontecer, mas fui ficando, um ano após o outro, e acabou dando certo.

Qual a maior dificuldade em ser piloto privado no Brasil?
Humberto Martin: é bastante complicado, já que você tem que se virar com absolutamente tudo e se não tiver uma verba para se manter no ano, você tem que fazer milagre. Esse ano, graças à minha escola e outras coisas, fui me virando, mas é bastante complicado mesmo. Graças à Deus, aos amigos e familiares, pessoas que sempre estão por perto ajudando, as coisas acontecem, até mesmo o pessoal que gosta do motocross, gosta da gente, acaba ajudando para ver mais um piloto no gate. Essas pessoas são aqueles patrocinadores, aqueles lojistas, aqueles amigos que dão alguma coisa. O bom do Brasil acho que é isso, eles sempre tentam ajudar uns aos outros, por isso que vai acontecendo. Mas é difícil, já que quem é piloto de fábrica tem uma ajuda muito boa, então a diferença de um piloto de fábrica para um piloto privado é muito grande. Um piloto de fábrica chega a ter três ou quatro motos por ano, todas as peças especiais da moto, suspensão, etc. Enquanto para o privado, uma suspensão boa mesmo é em torno de 7 mil dólares, então é muito difícil de alcançar isso. Porém, a briga do privado é diferente, ele se preocupa em ir em todas as provas, mostrar o seu patrocinador e lógico, tentar fazer o melhor resultado possível. Tentar esquecer e deixar para trás aquelas desvantagens que existem, para poder entrar toda vez no gate com a cabeça de igual para igual para poder lutar.

Há algum ponto positivo?
Humberto Martin: o ponto positivo, ainda mais no meu caso que sou estrangeiro, é que como piloto privado eu escolho onde quero morar, como quero morar, como quero treinar, como quero fazer as coisas. Tenho mais independência. Quando você pertence a uma equipe, não forçado, mas você tem que cumprir algumas coisas que às vezes podem tirar o teu dia a dia de treino, algumas coisas assim.

 

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Machito e o pai durante a terceira etapa do Arena Cross – Crédito: Carol Sarto / BRMX

 

A ideia da Machito School surgiu após se tornar piloto privado ou era uma ideia antiga?
Humberto Martin: a ideia da escola de motocross era bem antiga, sempre falei com o meu pai. A gente sempre quis ter um CT ou uma escola de motocross. Desde que eu estava na 80cc já ajudava os meus amigos, tentava passar alguma coisa. Sempre partiu de mim tentar ajudar os outros de algum jeito, então é uma coisa natural e, lógico, com a situação que estava acontecendo, eu saindo de uma equipe oficial, precisava procurar algum caminho para continuar no país, continuar fazendo o que eu gosto, que é andar de moto, correr, competir. Então, acho que as oportunidades surgem desse jeito e eu aproveitei. Dou graças à Deus por todas as oportunidades que Ele coloca na minha frente.

No caso de sua escola, os apoiadores que você conquistou, facilitam a entrada de novos alunos?
Humberto Martin: com certeza, os patrocinadores, apoiadores e amigos que consegui ganhar a confiança, todos eles sempre me dão uma força, uma ajuda para atrair mais pessoas, mais pilotos. Ou até mesmo os pilotos que já vêm à escola, saem daqui adorando e falando para os outros.

Quais são seus planos para o futuro? Pretende ficar no Brasil? Há também o fato de namorar uma brasileira…
Humberto Martin: Sim, a ideia é ficar no Brasil mesmo. Eu sou aberto à todas as oportunidades que surgirem, mas por enquanto a ideia minha, do meu pai, da minha família é tentar estabelecer moradia por aqui, fazer uma vida aqui no Brasil. A gente gosta muito do país, é muito parecido com o nosso, um pessoal muito amável, gente boa. Então, mesmo com a crise que está passando, a gente acredita que o Brasil é um país forte que ainda vai crescer muito. E o fato de namorar a Julia é um dos motivos que faz eu ficar por aqui, com certeza.

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