Entrevista: Gustavo Pessoa, vencedor da MX2 em Cornélio Procópio

Entrevista Gustavo Pessoa
Entrevista Gustavo Pessoa – Fotógrafo: Cesar Araujo / Vipcomm

 

Gustavo Pessoa, piloto da Honda Ipiranga IMS Racing, iniciou o Brasileiro de MX2 2017 no topo do pódio com vitória nas duas baterias em Cornélio Procópio, na abertura do campeonato.

Nesta segunda-feira, 6, um dia após a conquista, conversou com o BRMX e comentou este início na busca pelo título. Ele é líder do campeonato com 40 pontos, seguido por Leo Souza, Pepê Bueno e Fabio Santos, todos empatados com 30 pontos.

Confira a entrevista!

 

Você ganhou as duas baterias na abertura do campeonato. Foi uma corrida fácil?
Corrida nunca é fácil. Consegui fazer boas largadas, sempre no pelotão, e isso acabou me ajudando. A pista estava ruim, muitos pilotos não se adaptaram, e eu vim dos EUA, onde o terreno é totalmente diferente. Mas acabei me adaptando bem, me senti a vontade e consegui andar bem para fazer um resultado legal.

Ruim em que se sentido?
Não é ruim no sentido de traçado, mas o terreno era muito duro. Vira um asfalto, apesar de ter formado algumas canaletas. E estava muito lisa. Molharam um pouco antes da bateria e a moto deslisava muito.

Mesmo assim você dominou. Sentiu alguma ameaça durante a corrida?
Não. Fui tranquilo porque larguei bem e me senti a vontade. Isso ajuda muito.

Agora você tem 10 pontos de vantagem sobre o 2º, 3º e 4º colocado. Qual o tamanho desta vantagem?
Dá confiança, mas a vantagem não é muito grande. O campeonato é curto e longo ao mesmo tempo. Demora muito entre uma etapa e outra. Eu não gosto, mas também já acostumei. É o que temos. E como já sei que é assim, trabalho em cima disso.

 

Gustavo Pessoa
Gustavo Pessoa – Fotógrafo: Cesar Araujo / Vipcomm

 

E nos EUA, saiu satisfeito (Gustavo Pessoa correu as duas primeiras etapas do AMA Motocross 2017, em Hangtown e Glen Helen)?
Foi um sonho realizado. Fiquei contente de ter andado bem. Achei que nunca na minha vida poderia alinhar em Glen Helen e correr com pilotos que eu só via pela TV. Foi muito legal!

Deu pra disputar com algum piloto conhecido?
Em Hangtown briguei bastante com o Lorenzo Locurcio e com o McAdoo. Cheguei a passar o Lorenzo, mas no finalzinho ele me passou. São dois pilotos fortes, o Lorenzo se criou lá, tem estrutura boa, e o McAdoo é GEICO, tem moto praticamente factory.

E a buraqueira da pista?
Nossa! É muito buraco. Nunca vi buraco daquele tamanho. Parece costela. E nesse caso a moto faz toda diferença. Você vê que os caras fazem menos esforço. Suspensão e motor deles são de outro nível.

A largada de Glen Helen é outro ponto alto, uma curva famosa no circuito. Foi emocionante fazer a largada lá?
Cada vez que eu passava nela eu me sentia feliz pra caramba! Pensava, putz, to passando aqui, igual ao que eu via na TV! Cada vez era mais legal ainda.

Deu medo nas descidas de Glen Helen?
Cara, é incrível o tamanho dos buracos que se formam. No cronometrado, me empolguei e pensei “vou acompanhar os caras” e me joguei! Chegou no final da descida não conseguia parar, tive que parar no braço, então assustou um pouco. Mas na corrida consegui me soltar legal.

Pensa em voltar aos EUA para fazer mais uma etapa ainda este ano?
Estamos pensando, mas é difícil. É um sonho.

Seria possível fazer o campeonato inteiro como piloto privado?
Precisaria de uma ajuda. São muitos gastos. E o Real tá muito desvalorizado. Como privado, é preciso muito dinheiro.

Você andou de Honda 2017 lá. Alguma diferença pra 2016?
Não mudou nada na 250, só os gráficos. É a mesma moto.

Qual é a programação até a próxima etapa do Brasileiro (dia 29 de julho)?
Vamos seguir trabalhando, fazendo algumas corridas regionais, como o Mineiro, o Goiano, outras aqui em São Paulo. Dá pra manter o ritmo, apesar de não ser a mesma coisa que correr Brasileiro.

Tem algum piloto que você destaca na briga pelo campeonato contigo?
Difícil falar um. Muitos estão bem, tem a equipe nova do Balbi com a Kawasaki, tem o Fabinho. Todos estão trabalhando duro.

A próxima é em São José. Gosta da pista?
Andei nela em 2013, e em 2015 não andei porque estava machucado. Mas eu gosto deste tipo de terreno, deste saibro. Me criei andando no saibro.