Entrevista: Adam Chatfield, quase um brasileiro nato

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Comemorando a vitória em Sorriso, Mato Grosso – Foto: Mau Haas / BRMX

 

Ele chegou ao Brasil em 2010 e ganhou um título por ano a partir de 2011. Discreto e envergonhado no início por não saber falar português, Adam Chatfield vai se soltando desde então. Em 2013, bem mais habituado e cheio de amigos – os pilotos Marcello “Ratinho” e Dudu Lima são alguns deles -, o inglês até já incluiu o ritmo sertanejo em suas músicas preferidas e começou a arriscar algumas frases na língua portuguesa – entender, ele já entende tudo.

Dentro das pistas, foi o ano dele. Ganhou o Arenacross na Ingleterra e o Brasileiro de Motocross, além de ter brigado pelo título do Arena Cross no Brasil até a rodada final. Boa gente, 26 anos, quer fazer de 2014 um ano ainda melhor nas terras tupiniquins.

Durante esta semana, o BRMX entrevistou o atleta para contar detalhes de sua história, deste ano de ouro e do futuro. Acompanhe!

 

Qual dos títulos foi mais emocionante de ganhar?
Adam Chatfield: Fico muito feliz por ter ganhado um título por ano no Brasil. Em 2011 ganhei a Superliga na MX2, em 2012 ganhei o Arena Cross na Pró e em 2013 ganhei o Brasileiro de Motocross. Acho que o Brasileiro foi o melhor porque é o maior campeonato nacional do Brasil, mas todos os títulos são especiais para mim.

Quando você veio ao Brasil, em 2010, você chegou com Balbi Junior. Por que você veio? Você imaginava que um dia viria ao Brasil?
Adam Chatfield: Era amigo do Balbi na América e eu gosto de viajar para outros países para correr. Ele me convidou para vir e fazer algumas corridas pelo time dele. Nunca tinha vindo ao Brasil, então pensei que seria uma boa oportunidade para conhecer um novo país e competir. É sempre bom conhecer outro país e ver como as pessoas correm motocross lá.

Você tem planos de correr nos Estados Unidos outra vez?
Adam Chatfield: Devo fazer algumas corridas na América por diversão, mas não competir uma temporada inteira. Corri motocross e supercross alguns anos e me diverti muito, mas agora os tempos mudaram.

Este ano você correu uma etapa do Mundial de MX3. Você não pensa em correr o Mundial completo na MX1?
Adam Chatfield: Sim, corri o Mundial MX3 na Inglaterra esse ano já que era perto da minha casa, tinha muitos amigos meus lá e eu achei que seria um bom treino para me preparar para o campeonato brasileiro. Mas o Mundial não me interessa muito, é muita viagem, e eu escolheria correr o AMA ao invés do Mundial se eu tivesse que optar.

Já podemos confirmar que você fica no Brasil em 2014?
Adam Chatfield: Sim. Renovei meu contrato com a IMS/Honda e estou muito feliz. Será meu quarto ano na mesma equipe e ela tem crescido muito a cada ano. Todo mundo no time é como uma família, todo mundo “pega junto”, trabalha junto, e nós já tivemos bons resultados como equipe. Tenho uma boa estrutura aqui no Brasil.

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No começo – Foto: Arquivo pessoal

Voltando no tempo: Você poderia nos falar da sua infância? Como era sua vida na Inglaterra?
Adam Chatfield: A Inglaterra é legal, um país pequeno, e o motocross é bom lá. Quando eu era pequeno, vivia uma vida normal, indo para a escola e correndo motocross nos fins de semana. Corri os três grandes campeonatos lá e, quando eu tinha 15 anos, minha família se mudou para os Estados Unidos, e lá eu corri os maiores campeonatos amadores, como o Loretta Lynn, competindo com Mike Alessi e Ryan Villopoto, por exemplo.

Desde que idade você pilota? Por que você começou?
Adam Chatfield: Corro desde que eu tinha sete anos. Meu pai costumava correr muito tempo atrás e um dia ele me levou para ver uma corrida. Me apaixonei e comecei a pedir para ele comprar uma moto para mim, até que ele finalmente ele comprou e foi assim que eu comecei.

Quais são suas maiores vitórias?
Adam Chatfield: Este tem sido um grande ano para mim. Comecei o ano vencendo o Arenacross na Inglaterra e acabei vencendo o Brasileiro de Motocross. Nunca tinha ganhado o Brasileiro antes. Em 2011, me machuquei na última rodada e eu tinha chance de ser campeão. Em 2012, fui vice-campeão e, finalmente, após três anos tentando, ganhei o título do campeonato da CBM.

Por quais marcas você já competiu?
Adam Chatfield: Corri com todas, menos a KTM. Mas a maior parte das minhas corridas foram de Honda. Eu acho que é a melhor moto.

Neste ano, quando você sentiu que seria possível vencer o Brasileiro? Tem algum momento ou alguma corrida que você pensou: “agora é a minha vez! Chegou a minha hora!”?
Adam Chatfield: A temporada não começou muito bem para mim porque eu machuquei o pulso antes da primeira rodada, então estava despreparado. Na abertura, fiz uma corrida ruim, terminando 8-4 (quinto na soma das baterias). Depois que retomei meu programa de treinamentos normalmente, ganhei as duas corridas em Três Lagoas e dali pra diante eu sabia que poderia vencer, e eu queria vencer.

Balbi e Campano foram grandes adversários. O que você mudou em relação aos anos anteriores para conseguir vencer ambos?
Adam Chatfield: Sim, eles são muito bons e tem ainda mais uns cinco pilotos que podem vencer. O nível este ano estava muito alto. Não mudei meu programa de treinos, apenas me senti confortável na moto. Minha moto era boa e tudo funcionava. Eu tive muita confiança e queria vencer. Fui regular, e isso ganha campeonatos.

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No primeiro ano de Brasil, pela equipe 2B de Balbi Junior – Foto: Arquivo pessoal

 

O que você mais gosta no Brasil? E o que você não curte?
Adam Chatfield: Realmente gosto de viver no Brasil, é um grande país, as pessoal são realmente amistosas e eu já fiz bons amigos por aqui. E também gosto muito da comida brasileira, especialmente das churrascarias. Gosto também do calor, apesar de que em algumas partes do país é quente demais.

Por que é melhor para um piloto inglês ficar no Brasil e não na Inglaterra?
Adam Chatfield: Gosto do jeito brasileiro de viver. Agora que tenho amigos, um bom time e estrutura, Sandra (Souza) e Marcoabel (pessoas com quem Adam mora no Brasil) tornam as coisas fáceis para mim, posso viajar pelo país e seguir pilotando, não tenho nenhuma razão para voltar para a Inglaterra. Tenho uma vida boa no Brasil e estou feliz aqui.

Sobre os campeonatos no Brasil, o que você acha que deveria ser melhor?
Adam Chatfield: A única coisa são as distâncias. É preciso tempo e dinheiro para fazer todas as etapas do campeonato cruzando o país. Apesar disso, eu gosto de correr o Arena Cross e o Brasileiro de Motocross.

Quando você fala com seus amigos ingleses e diz que foi campeão brasileiro, o que eles dizem? Ser campeão brasileiro é importante lá?
Adam Chatfield: Todos meus amigos e minha família estão muito contentes que eu fui campeão brasileiro. As pessoas na Inglaterra procuram saber dos resultados e a Honda da Inglaterra, depois de ver que eu ganhei o Arena Cross de 2012, me ofereceu para correr o Arenacross na Inglaterra em 2013. Então, é importante ganhar títulos no Brasil. Títulos são importantes em qualquer país.

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Visual dos tempos de EUA – Foto: Arquivo pessoal

Você gosta/pratica outros esportes?
Adam Chatfield: Gosto de todos os tipos de corridas de motos e carros. Gosto de correr a pé e andar de bicicleta. Também gosto de jogar ping-pong e tênis.

Por fim, por que o número 407?
Adam Chatfield:
Costumava utilizar o #40 na Inglaterra. Quando mudei para os Estados Unidos, tive que mudar para #400 no Amador. Quando consegui minha credencial de Pró para o AMA SX e MX, me deram o #407. Gostei e mantive desde então.

Teria algo mais a dizer?
Adam Chatfield: Queria agradecer todos do meu time, especialmente (Wellington) Valadares por ter me dado a oportunidade de correr aqui e também a Frank, meu mecânico, que cuida da minha moto antes, durante e depois das corridas.

 

:: Volta rápida

Nome completo: Adam Brian Chatfield
Data de nascimento: 3 de setembro de 1987
Cidade natal: Bath (Inglaterra)
Pista favorita no Brasil: Canelinha (Santa Catarina)
Pista favorita no mundo: Glen Helen (Califórnia, Estados Unidos)
Algum ídolo? Jeremy McGrath
Música? Hip Hop e Sertanejo
Objetivos para 2014: Ganhei um título por ano, agora quero ganhar os dois campeonatos
Objetivos de vida: Ser uma boa pessoa, ter uma família e espero que meus filhos queiram correr motocross, assim sempre estarei envolvido com MX
Patrocinadores: IMS, Vulcano, Honda, Ipiranga, Pirelli, Polisport

 

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De Kawasaki, na Inglaterra – Foto: Arquivo pessoal