Em dia de descanso, competidores aproveitam para recarregar as energias

Os pilotos de 83 motos, 17 quadriciclos, 70 carros e 52 caminhões estão recarregando suas baterias ao término de uma primeira semana muito dura no Dakar 2014. Para muitos deles, ter chegado ao dia de descanso, neste sábado, 11, em Salta, na Argentina, já foi uma conquista. Na cidade, o nove vezes campeão Mundial de Rally Sébastien Loeb aproveitou a oportunidade para visitar o acampamento. A classificação está sendo liderada por Marc Coma (motos), Nani Roma (carros), Sergio Lafuente (quadriciclos) e Gerard de Rooy (caminhões).

MOTORSPORT -  DAKAR 2014 PART 1
Dia de trabalho para mecânicos – Foto: Gigi Soldano / DPPI

 

:: Motos – Vantagem de Coma

O nome na ponta da classificação com metade do caminho percorrido não é nenhuma surpresa. Marc Coma teve que trabalhar duro para recuperar sua confiança e eficiência após ter ficado de fora na edição de 2013, com um desempenho até o momento irretocável. O piloto catalão passou as primeiras etapas assistindo à distância enquanto seu vizinho da Valência, Joan Barreda, comemorava, mas na 5ª etapa, ele agarrou a oportunidade e deu um duro golpe em seus rivais. Coma não é apenas um piloto habilidoso, ele é também um mestre estrategista que escolheu o momento certo para tomar as rédeas da corrida. Jordi Viladoms, de volta a seu papel secundário na KTM, tem sido de pouca ajuda para Coma. Sua volta por cima com uma grande margem conquistada (tendo apenas Barreda a menos de uma hora do líder, 42 minutos atrás) se deve não apenas a sua superioridade, mas também à falta de sorte da maioria de seus competidores, em especial Cyril Despres. Tendo perdido mais de 30 minutos na 4ª etapa por ter precisado parar para reparar um curto-circuito em sua Yamaha a poucos quilômetros da linha de chegada, o vencedor do ano passado ainda cedeu quase duas horas no dia seguinte por ter ficado sem combustível e uma série de erros de navegação.

Com suas esperanças de defender o título frustradas, Despres pode agora utilizar a próxima semana para testar sua Yamaha em condições reais com antecedência para a próxima edição. Alguns dos outros pretendentes à coroa do Dakar não terão nem mesmo esta oportunidade após terem sidos forçados a abandonar o rali. Ruben Faria e Frans Verhoeven (3ª etapa), o inglês vencedor de uma das etapas Sam Sunderland (4ª etapa), seu companheiro de equipe na  Honda e o campeão mundial Paulo Gonçalves (5ª etapa) e o ídolo chileno “Chaleco” López (6ª etapa) tiveram todos que ir para casa mais cedo. Porém, com cinco marcas diferentes entre as seis primeiras colocações, a KTM não deve ter tanta certeza que levará mais uma vitória em sequência. Além de Barreda, a Sherco surpreendeu com seus dois pilotos, Juan Pedrero e Alain Duclos vencendo uma etapa e o francês pisando no terceiro degrau do pódio provisório. Os chilenos podem agora torcer para Jeremías Israel, que está em quinto na classificação geral com sua Speedbrain. Um pouco mais para baixo, entre os sobreviventes deste ano extremamente exigente, a catalã Laia Sanz jogou bem e ocupa a vigésima colocação geral, 4h 26min atrás de Coma.

 

:: Quadriciclos – Um trono vazio

Seis etapas, cinco vencedores diferentes (Casale, Patronelli, Sonik, Husseini e Lafuente) e quatro líderes (Casale, Patronelli, Sonik e Lafuente): a primeira semana foi repleta de mudanças, surpresas e agitação. Enquanto isso, o duro trajeto acabou com as esperanças de alguns grandes nomes da categoria, incluindo o bicampeão Marcos Patronelli, que abandonou a competição na 3ª etapa. Outras vítimas foram Lucas Bonetto, Pablo Copetti e Sebastián Palma. Com metade do caminho percorrido, temos uma imagem muito mal clara da classificação na categoria dos quadriciclos. Salvo grandes surpresas, a briga pele vitória em Valparaíso será entre três homens separados por apenas 24 minutos. Lafuente está na ponta, mas Sonik está esperando pelo momento certo para atacar e Casale já disse que partirá para o ataque assim que tocar o solo chileno. O resultado irá decidir a ordem do pódio, já que entre eles e o quarto, Sebastian Husseini, colocado há uma vantagem de três horas e um abismo de até 44 horas até o último dos outros14 sobreviventes, incluindo a sexta colocada Camelia Liparoti, 32 horas atrás.

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Equipe Honda trabalhando – Foto: Honda HRC

 

:: Carros – Todos os caminhos levam a Roma

Os carros também deram um eletrizante show por toda a primeira semana marcada por uma calor sufocante dentro das cabines. O homem no comando em Salta, Nani Roma, teve que esperar até a 5ª de seis etapas para consolidar seu domínio na corrida. O catalão agarrou duas etapas graças a seus já conhecidos picos de velocidade, mas a novidade foi sua maturidade em administrar a corrida e seu entrosamento com o navegador Michel Périn. Ele dominou a corrida no estilo “Peter”: um golpe com sua navegação na 5ª etapa o deixou meia hora a frente de seus competidores, colocando o primeiro vencedor espanhol (motos, 2004) na pole até o dia de descanso. Porém, com dois companheiros de equipe determinados a impedi-lo de tornar-se o terceiro piloto a vencer nas quatro rodas após ter vencido nas duas, é melhor que ele não cante vitória antes do tempo. Graças a sua recém descoberta consistência, chegando entre os cinco primeiros por quarto vezes em seis etapas, o argentino Terranova está logo atrás (segundo, 30min30s), assim como Stéphane Peterhansel (terceiro, 33min23s). Além disso, nesta primeira semana, o bicampeão “Master Peter” disse que irá partir para o tudo ou nada para lutar por sua sexta vitória em Valparaíso. Caso a vitória escape das mãos do trio que está na ponta ela pode ir para nas mãos do sempre paciente Giniel De Villiers, que está em quarto, 40min54s atrás, apesar de sua grande falta de sorte com a parte mecânica nesta primeira semana.

Ainda mais atrás, as penalizações impostas parecem ter acabado com as esperanças de Nasser Al-Attiyah e Carlos Sainz, respectivamente quarto e quinto a 1h22min e 1h59min, ainda assim suas habilidades em disputarem vitórias em etapas podem ainda torná-los a influenciar na coroação do próximo rei.

Outros destaques da primeira semana incluem o polonês Marek Dabrowski, chegando em sexto em sua primeira largada em um carro, e Adam Maysz, cuja metamorfose parece mais bem sucedida a cada minuto. Os buggies, por outro lado, foram uma grande decepção até o momento, com apenas Carlos Sainz entre os 10 melhores com metade do caminho percorrido, em comparação com os cinco Minis e os três Toyotas.

Apesar disso, A MD Sport com Pascal Thomasse e seu buggy Optimus estão em uma brilhante 12ª colocação. Por fim, o japonês Jun Mitsuhashi, 22º na geral, está na liderança entre os carros de produção em série com uma margem de quase 1h45min sobre seu companheiro de equipe, o francês Nicolas Gibon.

 

:: Caminhões – De Rooy versus a ameaça da Kamaz

A corrida não acaba até que chegue ao fim, mas as apostas estão todas no líder Gerard de Rooy. Tendo vencido duas etapas e chegado entre os cinco primeiros em seis dias, o desempenho do campeão de 2012 é tão consistente quanto forte. A única brecha em sua blindagem é que ele está sozinho contra o trio Karginov-Nikolaev-Sotnikov da Kamaz, que poderá trabalhar em conjunto para aumentar suas chances de sucesso.

* Texto: Vipcomm