Capixaba Bruno Crivilin desafia os gringos no Minas Riders

 

Por Tiago Mendonça – Conteúdo Red Bull.com

Se os gringos ainda não conheciam Bruno Crivilin, digamos que ele entregou um belo cartão de visitas na primeira edição do Red Bull Minas Riders, disputada em abril do ano passado.

Bruno remou forte contra a maré quando decidiu se inscrever na categoria Gold, a mais difícil da prova. Poderia muito bem ter disputado a vitória na Silver, que pega um pouco mais leve. Era a classe mais recomendada para os pilotos brasileiros (mesmo os profissionais), já que o enduro extremo para motos é um esporte relativamente novo por aqui.

Existe um gap enorme entre a capacidade de superar obstáculos de caras como o espanhol Alfredo Gomez ou o britânico Graham Jarvis e nossas maiores estrelas. E não tem nada de negativo nisso: é simplesmente uma questão de escola, de vivência, de experiência mesmo. Os brasileiros são novatos nesse jogo.

Foi por isso que tanta gente se espantou ao ver três representantes do país na lista de inscritos: Thiago Vermelho, Gustavo Pellin e Bruno Crivilin desafiaram a lógica e ousaram competir de igual para igual com os maiores nomes do esporte. No maior esforço de suas carreiras, Pellin e Crivilin conseguiram chegar ao final.

 

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Bruno Crivilin – Fotógrafo: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool

 

Ainda que sobrevivessem aos primeiros dias, os brasileiros tinham pouquíssimas chances de vencer o desafio final, formado por uma subida muito íngreme, cheia de degraus de pedra. Era um trecho tão insano que o promotor do Red Bull Minas Riders, o austríaco Martin Freinademetz, apelidou de “Cash Back” (Na tradução simples, dinheiro de volta).

Como forma de incentivo aos pilotos, Martin prometeu devolver o valor pago na inscrição caso algum deles conseguisse chegar ao final da prova. Nessa altura, Thiago Vermelho já havia desistido da corrida. Gustavo Pellin (de ombro zoado) e Bruno Crivilin seguiam na disputa, mas não poderiam experimentar o Cash Back nem se quisessem.

Eles se perderam e pintaram no pórtico de chegada por outro caminho, sem passar pelo Cash Back. A organização faz este controle pelo rastro do GPS e deixou muito claro: ou eles voltavam, para refazer o trajeto com Cash Back, ou estariam desclassificados.

– Nós voltamos juntos, o Pellin na frente e eu com farol quebrado atrás, sem enxergar nada. Rodamos 60 km de estrada e mais 20 km de chão de terra até achar o Cash Back. Chegamos lá era 18h30, já estava escurecendo. E era uma subida inacreditável, a pior subida que eu já fiz na minha vida. Mas a gente se ajudou, aceitamos o desafio e conseguimos completar – disse Bruno Crivilin.

 

O alívio de quem cumpriu a missão – Fotógrafo: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool

 

Em breve, tem mais

A segunda edição do Red Bull Minas Riders está confirmada entre os dias 17 e 21 de maio, mais uma vez passando pelas trilhas de Belo Horizonte e região. Apesar de trajetos insanos e obstáculos quase intransponíveis na categoria Gold, essa prova é pensada para qualquer tipo de apaixonado por motos off-road.

As divisões Silver, Bronze e Iron são mais simples e gradativamente menos exigentes. A Iron, por exemplo, propõe um desafio interessante, mas comporta aqueles que têm pouca experiência em trilhas muito travadas. Para se inscrever em qualquer categoria de acordo com o seu nível de experiência é só clicar aqui.

Bruno Crivilin, claro, já está confirmado outra vez na classe Gold.

– Quero que seja mais difícil do que no ano passado – afirma Crivilin.

Alguém aí ainda duvida do que ele é capaz?