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Balbi Junior fala da recuperação e da nova fase como chefe de equipe

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Balbi nos tempos de Superliga Brasil MX – Fotógrafo: Luiz Pires / Vipcomm

 

Balbi Junior, 35 anos, está sem competir de moto desde seu acidente no dia 9 de julho, quando caiu forte durante um treino do Arena Cross Brasil e teve lesão medular. Ainda sem condições de pilotar, decidiu dar um passo adiante e iniciar a carreira de chefe de equipe depois de uma carreira cheia de conquistas como piloto.

Os paranaenses Pepê Bueno (ex-Yamaha Geração) e Leo Souza (ex-Escuderia X) são os pilotos escolhidos para integrar o time chefiado por Balbi e sua irmã, Mariana. A moto será da Kawasaki, e outros patrocinadores ainda serão anunciados.

Na terça-feira, 3, Balbi atendeu a ligação do BRMX com muita atenção. Conversou durante 47 minutos, falando da recuperação e dos planos futuros. Confira a seguir.

 

BRMX: Como está tua recuperação?
Balbi Junior: O dia está mais cheio do que antes. Fisioterapia, acupuntura, terapeuta ocupacional. Estou treinando mais do que nunca. Saio de um consultório, vou para o outro. Está bom. Não posso reclamar.

BRMX: Como estão os movimentos?
Balbi Junior: Estou caminhando com muletas. Alguns dias, tenho muita força, muito equilíbrio. Mas, sem explicação, no dia seguinte estou sem força, sem equilíbrio. Cada dia é diferente.

BRMX: Sente dores?
Balbi Junior: Às vezes tenho espasmos musculares durante a noite, contraí a musculatura – é uma das características da lesão medular. E isso dói. Mas estou evoluindo. Já consigo fazer os movimentos. Consigo caminhar sozinho dentro de casa, fazer pequenas distâncias. E já consegui voltar a dirigir. Meu lado esquerdo é muito bom, está bem próximo do normal. A perna direita passa (para dirigir), mas a mão direita é a parte mais complicada. Acelero com o pé direito e freio com o pé direito, tipo no kart.

BRMX: E ainda é recente. Tem muito para evoluir.
Balbi Junior: Até dois anos (de tratamento) tem uma evolução grande. E vai apenas completar seis meses. Estou melhorando. Mas, me faz falta ser atleta. Não poder pedalar, fazer exercícios como atleta. Sinto falta disso. Mas estou aprendendo a me apegar mais no que eu posso, e não no que não posso.

 

MXGP 2014 na Alemanha
Irmãos seguirão trabalhando juntos – Foto: MXGP

 

BRMX: E esta história de equipe? Vai ser manager então? Pepê Bueno e Leo Souza serão os pilotos?
Balbi Junior: Sim. Ainda não queria divulgar, mas vai lá. Já é notícia. Pepê Bueno e Leo Souza serão os pilotos.

BRMX: Você vai para as corridas também?
Balbi Junior: Com certeza. Eu e a Mariana vamos chefiar juntos.

BRMX: Como isso começou?
Balbi Junior: A ideia começou com a Kawasaki. O presidente gosta muito de mim, queria continuar trabalhando junto. Conversamos com o Kaphê (Sebbe) também, que é o coordenador de motocross, e é super importante. Deu certo. Acho que a Kawasaki já está  muito bem representada na MX1 com a equipe do Ratinho e Dudu (Lima), e nós podemos suprir o espaço na MX2.

BRMX: Por que somente MX2?
Balbi Junior: Eu gostaria de trabalhar na MX2. Na MX1 é muito difícil mudar um piloto, e eu desejo acrescentar na carreira destes pilotos, encurtar caminhos. Mas meu sonho é formar piloto para daqui quatro ou cinco anos caminhar junto com ele para a MX1. Temos que ter um campeão brasileiro do Brasil de novo. Se eu já entrasse com equipe na MX1, talvez tivesse que contratar um gringo, e não é o que eu gostaria de fazer. Quero trabalhar os pilotos brasileiros. Com o tempo que terei para trabalhar, acho que podemos crescer.

BRMX: Quais seus planos como chefe de equipe?
Balbi Junior: Quero tentar trazer algumas coisas que aprendi correndo fora do Brasil. Claro que nossa realidade é outra, nosso orçamento é outro, mas tem coisas que podem ser feitas.

BRMX: O nome da equipe já está definido?
Balbi Junior: Ainda não está fechado porque estamos buscando patrocinadores. A equipe levará o nome do patrocinador principal. Tudo indica que será a Pro Tork, estamos perto de anunciar isso, mas ainda não assinamos o contrato. Até por isso ainda não divulgamos nada. Estamos trabalhando. Mas minha relação com o Marlon (Bonilha, proprietário da Pro Tork) é ótima. Aliás, é importante dizer, o Marlon foi fantástico na minha recuperação, fez muito mais do que se pode imaginar. Tenho muito a agradecer à Pro Tork.

 

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Público continuará vendo o campeão nas corridas – Fotógrafo: Mau Haas / BRMX

 

BRMX: Os dois pilotos são de Curitiba, Paraná. Você vai levá-los pra morar em Belo Horizonte?
Balbi Junior: Vão ficar morando lá (em Curitiba), mas virão fazer pré-temporada aqui (em BH). Vão fazer lá e cá muitas vezes. Nas próximas semanas eles já vêm pra cá. E ficou legal porque eles podem treinar juntos lá também.

BRMX: Como será a estrutura?
Balbi Junior: Vai ser um esquema igual é nos Estados Unidos. Eles terão as motos de treino lá em Curitiba e eu levo a estrutura para as corridas, com moto principal, mecânico, tudo. Eles podem só entrar no avião e chegar na corrida que estará tudo pronto. Sempre achei isso muito bom nos EUA. Facilita muito. É a nossa ideia, apesar do orçamento complicado.

BRMX: Como chegou nos nomes de Pepê e Leo?
Balbi Junior: Logo pensei nesses dois nomes pois têm potencial e não estavam em nenhuma equipe grande. Eles foram os primeiros que fiz contato. Ambos têm 19 anos, podem ficar mais quatro anos na MX2. E deu uma movimentada no mercado.

BRMX: O que te chama atenção neles?
Balbi Junior: Gosto do Pepê tecnicamente, do estilo. Pilota fácil, não tem dificuldade. É talentoso. Mas faltam algumas coisas, talvez alguém pra direcionar. Ele muda muito de moto, de mecânico, de estratégia. Precisamos fazer as coisas mais a longo prazo. Precisa trabalhar o psicológico também para ser mais forte, manter mais. Pepê no dia bom é o mais rápido, mas ainda varia muito. Pode melhorar na parte física. Vamos trabalhar isso.

BRMX: E o Leo?
Balbi Junior: É extremamente trabalhador, além de também ser talentoso. Gosto muito da simplicidade dele e do pai. Vejo nele uma gana parecida com o que eu tinha, uma vontade muito grande de vencer. Acredito que talvez não teve melhores resultados por não ter um equipamento tão competitivo, o que é fundamental. E ele tem a cabeça aberta, quer aprender, já fez curso comigo. Tem que trabalhar um pouco para não fazer tanta força para pilotar. E acho que se dá muito bem em pistas apertadas, como no Arena. Sempre encaixa muito bem as sequências.

BRMX: Como você acha que desempenhará o papel de chefe?
Balbi Junior:  Quero ser amigo dos pilotos, não quero ser carrasco. Mas vou ser trabalhador. Amigo dos pilotos desde que eles estejam trabalhando e se esforçando. Vou cobrar que deixem o melhor dentro da pista. Pilotos não podem desistir. Se você estiver em décimo, tem que dar seu melhor para ser o nono, porque será importante. E piloto não faz nada sozinho, tem mecânico, várias pessoas trabalhando por um objetivo. E vou tentar ensinar os pilotos para se portarem mais profissionalmente diante dos patrocinadores. Tem que ser rentável para o patrocinador, tem que ser comercial, tem que visitar lojistas, saber se apresentar, preservar a marca, ser fiel àquela marca. Sinto falta disso nos pilotos brasileiros. O comercial faz o esporte andar.

BRMX: Vai seguir ministrando cursos de pilotagem?
Balbi Junior: Com certeza. Inclusive vamos começar um na próxima semana. Quem quiser fazer curso comigo e com a Mariana, é só entrar em contato pelo e-mail [email protected]

 

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Pepê Bueno andará de Kawasaki em 2017 – Fotógrafo: Mau Haas / BRMX

 

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Leo Souza muda para a Kawasaki em 2017 – Fotógrafo: Mau Haas / BRMX