Presidente da CBM, Firmo Alves, comenta as novidades do calendário 2017

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Firmo Alves, presidente da CBM – Foto: Divulgação

 

Firmo Alves, presidente da Confederação Brasileira de Motociclismo em seu segundo mandato, atendeu ao BRMX na noite desta terça-feira, 13, para esclarecer alguns detalhes sobre os calendários de motocross e supercross organizados pela entidade.

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Confira a entrevista!

 

BRMX: A CBM anunciou nesta segunda-feira, 12, um calendário de motocross com oito etapas e, além disso, um campeonato de supercross, o que não acontece desde 2008. Após mais um ano de crise, como ter tanta certeza que isso vai acontecer?
Firmo Alves: Entendo que o ideal para o motocross brasileiro seria ter de oito a dez etapas, sendo a maioria no centro sul, e de duas a três no norte e no nordeste. Só assim, nosso esporte será visto pelo Brasil inteiro. A CBM tem que plantar isso para no futuro ter mais pessoas praticando o esporte. Estou plantando, fazendo uma aposta arriscada, porque sou um sonhador. Acredito que eu posso conseguir fazer o campeonato com oito etapas. Tenho dez cidades (interessadas), e estou arriscando que a CBM vai ter condições de fazer as oito etapas. Se os patrocinadores não vierem na mesma proporção, vou ter que vir pra seis. Mas as datas não vou mudar. Porém, algumas cidades ainda têm que ter conversas, porque muitos prefeitos ainda vão assumir em janeiro. Falta o patrocínio da CBM, porque uma parte a cidade dá, a outra a CBM. Então, o risco é a CBM não receber o patrocínio adequado para bancar as oito. Tenho uma “pré-conversa” de que vou conseguir.

BRMX: Esses patrocinadores que você acredita que a CBM terá para 2017 são os que já patrocinaram o campeonato ou veremos novas marcas?
Firmo Alves: os que já estão, sou eu que cuido. A possibilidade de entrar novos (patrocinadores), passei para duas agências e eles estão trabalhando. Uma é de Santa Catarina e outra é de São Paulo. A minha vontade é que novos entrem, que daí estaremos tranquilos. Novos patrocinadores repercutem em tudo, ajuda todos envolvidos. Se conseguir essa grana, faço as oito etapas. Digo mais, posso fazer até dez etapas.

BRMX: O que a CBM oferece de retorno para quem gostaria de ser patrocinador?
Firmo Alves: o grande chamariz é a transmissão no SporTV. Saímos de um universo de 15 a 20 mil pessoas na arquibancada para um universo de 66 milhões de assinantes. Este número é um absurdo, e se uma parcela muito pequena deste número assistir a prova, vamos para 2 ou 3 milhões de espectadores vendo a tua logomarca na TV. Uma hora da tua logomarca num canal que é da Rede Globo por uma mixaria, porque aí se torna uma mixaria. Este é o grande retorno, e depois tem a placa de pista, locução do narrador, blitz em semáforos, cartaz, flyer, ações na pista, e outras.

BRMX: E o Supercross? A CBM lançou com a certeza de que vai acontecer.
Firmo Alves: Vi a necessidade dos atletas, dos patrocinadores. Mediante isso, me sinto na responsabilidade de fazer. Já temos encaminhado as possibilidades de Curitiba, Campo Grande, uma no estado de São Paulo e outra em Santa Catarina. É só mandar bala. Vou peitar, sem patrocinador mesmo. Só por um motivo de força muito maior não vou fazer. Acho que faço quatro (etapas) tranquilamente.

BRMX: Por que não fazer em períodos diferentes, primeiro o motocross e depois o supercross?
Firmo Alves: Seria ideal. Penso que o motocross deveria começar em março e acabar em agosto, para começar o supercross em setembro para ir até dezembro, ou até mesmo janeiro e fevereiro para fazer no litoral. Mas ainda não dá pra fazer por causa dos prefeitos que ainda não assumiram. Vamos ter que fazer primeiro pra mostrar como é.

BRMX: O que o organizador local precisa oferecer para sediar uma etapa?
Firmo Alves: Pedimos a estrutura, que já é muita coisa. Arquibancada, área vip, box, banheiro químico, maquinário, pista cercada, energia. E o patrocínio da prefeitura paga isso. Eu (CBM) pago o pessoal, as passagens, hospedagem, cachê, premiação, cronometragem. Levo 30 pessoas para uma corrida, fora o que uso local, da Federação.

A CBM anunciou em setembro deste ano que as etapas de 2017 seriam juntas com os regionais. Isso está mantido?
Firmo Alves: Em alguns casos, sim. Precisamos aprimorar esta situação. Entendo que no balanço geral foi mais positiva que negativa, mas tivemos alguns problemas. Muita categoria, muita largada, não dá tempo de tratar a pista. Tem que melhorar em algumas situações. Outros casos não dá, pois mais atrapalha do que ajuda.

Mas é uma reivindicação das categorias amadoras estar junto com os profissionais.
Firmo Alves: Mas não dá, não tem tempo hábil. Teria que fazer sexta-feira para dar tempo de tratar a pista, deixar no nível técnico adequado. Como você coloca um nível técnico de MX1 e na pista coloca a 50cc? Não dá. Todo campeão de Fórmula 1 um dia correu de kart. A pista é diferente.

Mas neste ano nem todas as pistas tiveram nível de MX1. Na final, por exemplo, não tinha um nível técnico elevado.
Firmo Alves: Foi abaixo justamente por causa do estadual, e também por causa do tempo hábil, que não nos permitiu fazer uma pista de campeonato brasileiro. Mas seria o certo. Quando elevamos o nível da MX1 e MX2, capacitamos os pilotos a melhorarem lá fora. Costumo dizer que para uma pista ficar boa ela precisa de três anos de campeonato. Limeira é um exemplo. Você vai testando. Algumas coisas você prevê, outras não.