Por onde anda James Stewart?

Onde diabos está James Stewart? – Foto: Collin Speckner

 

Era véspera da etapa de abertura do AMA Supercross 2017 no Angel Stadium em Anaheim, na Califórnia.

Mais precisamente quinta-feira, 5 de janeiro, durante o famoso “Press Day”, dia dedicado à imprensa, onde os pilotos concedem uma entrevista coletiva e depois vão para a pista dar algumas voltas.

Em determinado momento da coletiva, uma jornalista direciona a pergunta para todos os pilotos:

– Gostaria de saber o que vocês pensam sobre ausência de uma das estrelas do esporte, James Stewart?

Neste momento, todos voltam seus olhares para Chad Reed.

– Você quer tentar Ryan? – diz a repórter para Dungey.

– Eu acho melhor o Chad, eles tiveram algumas disputas, eu escolho o Chad! – disse Dungey, olhando para o australiano e, a exemplo de todos, rindo muito.

Após pegar carona na gargalhada coletiva, o veterano respondeu seriamente:

– Eu acho muito triste. Deixando nossas diferenças de lado, sabe… ele tem 50 vitórias na carreira se não me engano né? É um dos maiores campeões de todos os tempos. Enfim, tem todas as credenciais de um grande piloto e eu acho realmente triste que ele não tenha um emprego (referindo-se ao fato de Bubba não ter acertado com nenhuma equipe na época). Sinto falta de correr com ele. É triste que isso esteja acontecendo.

 

 

Por onde anda James Stewart?

Apesar do lado cômico da situação relembrada acima, nos últimos 18 meses uma pergunta tem incomodado a todos: por onde anda James Stewart?

Constantemente chamado pelo apelido de “O Homem Mais Rápido do Planeta”, Stewart praticamente desapareceu dos gates de largada.

Ele não disputa uma corrida oficial desde a etapa de Washougal do AMA Motocross 2016 e desativou todos os seus perfis nas mídias sociais, com exceção do Instagram, cujo a última postagem data de 22 de maio de 2017, quando prestou homenagem ao ex-campeão da MotoGP, Nicky Hayden (confira aqui), morto ao ser atropelado quando andava de bicicleta.

Stewart sequer concedeu entrevistas neste período.

Sua última aparição pública foi em novembro do ano passado, quando foi visto em sua pista particular na Flórida, treinando com uma Honda CRF450R com o number plate #7 e usando um capacete Bell sem os gráficos da Red Bull, que o patrocina há uma década.

Bubba deu algumas voltas na pista, saiu com alguns visitantes da Seven (sua marca pessoal de roupas off-road) e com os vencedores do Freestone Spring Classic e não foi mais visto desde então.

 

Em novembro, com uma CRF450R em sua pista particular na Flórida – Foto: Collin Speckner

 

O #7 segue sendo de Bubba

Antes disso, em setembro, quando a AMA estava se preparando para lançar o ranking e os respectivos números de carreira dos pilotos para a temporada 2018, Stewart foi contatado pela entidade, que queria saber se ele estava planejando competir.

Caso contrário, iriam liberar o seu número de carreira, o #7, para outro piloto, já que Bubba não havia disputado / pontuado em nenhuma corrida em 2017.

A AMA não obteve uma resposta direta do piloto.

Quem respondeu foi o pai, Big James, que disse que ele e seu irmão caçula, Malcom, estavam planejando montar uma equipe própria para competir.

Diante dessa resposta, a AMA reservou o número #7 para James e o #27 para Malcom.

Quando a nova temporada se aproximava, todos estavam ansiosos por notícias vindo da família Stewart, especialmente notícias a respeito de James.

Mas após aquela breve aparição em sua pista particular na Flórida, em novembro, tudo “esfriou” novamente.

Todas as equipes, de fábrica e privadas, já haviam acertado com seus respectivos pilotos.

E a incômoda pergunta voltou à tona: por onde anda James Stewart?

 

Carreira sumindo após doping

Ele perdeu toda a temporada 2015 após ser pego em exame antidoping (relembre o caso aqui, aqui e aqui), por uso de anfetamina durante a etapa de Seattle do AMA Supercross 2014 (curiosamente foi informado do resultado positivo do exame após vencer as duas baterias da etapa de High Point do AMA Motocross).

Voltou em 2016, ainda com a equipe Yoshimura Suzuki (com a qual havia assinado um contrato vitalício em 2014, posteriormente rescindido após a Yoshimura e a RCH Racing tornarem-se uma única equipe), mas, na abertura do AMA Supercross em Anaheim, abandonou o Main Event na terceira volta após ser atingido por Dungey numa curva, cair e sofrer uma concussão (vídeo abaixo).

 

 

Sua última corrida na referida temporada foi na etapa de Santa Clara, na Califórnia, no dia 2 de abril. Mesmo andando bem, abandonou o Main Event ainda no início, com problemas mecânicos.

Posteriormente ele disputou algumas etapas do AMA Motocross, a última delas no dia 23 de julho, em Washougal.

Na ocasião, Stewart abandonou a segunda bateria e desde então não foi mais visto em competições oficiais.

 

Nos tempos de Yoshimura Suzuki

 

Ainda restam esperanças

Às vésperas da abertura do AMA Supercross 2017 em Anaheim, ele postou em seu Instagram a seguinte mensagem:

“Faz 16 anos que num sábado à noite, em janeiro, não estou em um estádio fazendo o que eu amo. Mas tudo que posso dizer é que isso não vai durar por muito tempo!!! Realmente não tenho como descrever o quanto estou ansioso para voltar e fazer as coisas do meu jeito. Depois de meses tentando fazer as coisas acontecerem, percebi que não importava o que eu fizesse, nada iria dar certo.”

Bubba ainda acrescentou um “veneninho” à esta enigmática mensagem:

“A todos que não me suportam… vejo vocês em breve. Aqueles que tentaram me quebrar, desculpe, mas vocês não podem se livrar de mim tão fácil.”

A postagem teve mais de 54 mil curtidas (confira a postagem aqui).

Mas depois disso nada aconteceu, exceto a homenagem à Nicky Hayden, postada em 22 de maio.

A equipe da revista norte-americana RacerX tentou fazer contato com Stewart às vésperas da etapa de Daytona do AMA Supercross 2018, para uma reportagem especial.

Segundo a reportagem, quem os recebeu foi Malcom e o pai Big James. Nas palavras do próprio repórter, como sempre eles foram “muito amigáveis e tagarelas”.

Big James explicou que Bubba estava fora das competições porque depois que a Yoshimura Suzuki e a RCH Racing tornaram-se uma única equipe e todas as outras equipes de fábrica estavam com seus respectivos quadros de pilotos fechados, era impossível disputar um campeonato sem um apoio oficial de fábrica (mesmo num esquema privado), independente da marca de moto que ele viesse a pilotar.

E quando questionado se Stewart voltaria às competições oficiais, Big James respondeu sem hesitar:

– Ele voltará.

Mas provavelmente não com a Suzuki, marca para a qual pilotou após sua despedida da JGR Yamaha em 2012.

Segundo Roger Larsen, que cuida da marca Seven, que pertence a Stewart, negociações com possíveis patrocinadores chegaram a ser iniciadas visando a montagem de uma equipe própria para Bubba disputar a temporada 2018.

Mas de acordo com Larsen, tais negociações não evoluíram porque Stewart no momento preferiu passar mais tempo com a família (esposa e filho) do que voltar a se dedicar às corridas.

O que não significa necessariamente que ele desistiu dos planos de voltar as competições oficiais.

Segundo Eddie Cole, fundador da marca Answer e grande amigo de Stewart, ele quer e vai voltar, mas no momento certo, com a moto certa e com a estrutura certa.

Nas palavras de Cole, nem de graça Bubba irá voltar às corridas com uma moto e esquema que o permitam chegar no máximo em 10º ou 12º lugar por exemplo.

Em outras palavras, por mais que venha a ser um esquema privado, Stewart não quer voltar com uma moto e estrutura que lhe deixe em desvantagem em relação aos pilotos das equipes oficiais de fábrica (embora ninguém duvide do seu talento e velocidade).

Mas a questão que causa tanta ansiedade e expectativa na imprensa e nos fãs é: quando irá aparecer a moto e a estrutura que lhe agrade?

Quando irá acontecer esse aguardado retorno?

Quando iremos “aposentar” a pergunta “por onde anda James Stewart?”

Só Deus sabe.

Aguardamos os próximos capítulos dessa novela mexicana… digo, americana.

 

*Esta reportagem é uma tradução livre de uma matéria feita na revista RacerX. Para ver a publicação em inglês, clique aqui.