ENZO LOPES: “Espero poder representar meu país muito bem esse ano”

Foto: John Basher

 

Que o brasileiro Enzo Lopes está vivendo o melhor momento de sua carreira nos Estados Unidos, não é novidade para ninguém.

Enzo já tinha certo destaque na mídia internacional por conta de seus resultados nos principais campeonatos amadores do cenário americano, mas, desde que assinou com a equipe de fábrica AutoTrader JGR Yoshimura Suzuki para disputar o AMA Motocross na categoria 250, mais holofotes se viraram para ele.

Às vésperas de sua estreia em Hangtown, ele concedeu entrevista ao site RacerX Online, falando sobre o grande momento que está vivendo.

Confira abaixo a tradução na íntegra.

 

Antes de mais nada, parabéns pelo contrato com a JGR. Como tudo está acontecendo com a equipe?

É a minha primeira vez em uma equipe de fábrica. Eu não poderia estar mais feliz. Todos já são “familiares” para mim.

 

Como surgiu a oportunidade com a JGR?

Eu tinha obtido bons resultados nos últimos dois meses em competições amadoras.

Depois do California Classic, meu agente me ligou na manhã de terça-feira, então ele me disse que eles haviam feito uma proposta.

 

Você pode contar para os nossos leitores um pouco da história da sua carreira?

Comecei a andar de moto quando eu tinha três anos de idade. Meu pai costumava andar. Eu costumava assistir DVDs de supercross e outras coisas.

Meu sonho quando criança era estar em uma equipe como essa para poder me tornar profissional em um time de fábrica.

Eu sou brasileiro, mas me mudei para a Califórnia em 2016 para perseguir o meu, digamos, sonho americano.

No começo foi bem difícil.

Meus resultados não foram os melhores, mas em Mammoth, em 2016, comecei a ficar confiante e meus resultados melhoraram.

As pessoas começaram a ver algo em mim na pista. Então tive essa oportunidade.

 

Você obviamente foi muito bem-sucedido no Brasil antes de vir aqui, certo? Você pode falar sobre as corridas que você fez no Brasil?

No Brasil não existem competições amadoras como aqui. As categorias 50cc, 65cc e 85cc correm junto com os profissionais.

O cenário do motocross no Brasil atualmente não é muito bom. Espero poder representar meu país muito bem esse ano.

Foto: John Basher

Sempre foi seu sonho vir correr nos EUA?

Sempre foi meu sonho quando criança.

Comecei a disputar e vencer campeonatos no Brasil, então eu e minha família achamos que era uma boa oportunidade vir aqui para correr.

Eu costumava ir e voltar muito. Comecei a vir para os EUA em 2009.

 

Eu vejo você o tempo todo em Glen Helen; você definitivamente anda bem.

Sim. Como piloto privado, mesmo quando amador, sempre foi difícil enfrentar os pilotos de fábrica.

Por isso sempre dou o meu melhor cada vez que vou para a pista.

 

Você já estava planejando fazer sua estreia profissional em Hangtown antes de receber o telefonema da JGR?

Sim.

Nós planejamos isso desde o começo do ano.

Mesmo que eu ainda fosse um privado, nós faríamos isso acontecer.

Eu e minha família estávamos dispostos a dirigir o nosso trailer com minhas motos para todas as etapas.

Mas assim que cheguei num acordo com ele (JGR), parecia um sonho realizado.

Nunca esquecerei daquela manhã de terça-feira, quando recebi o telefonema.

 

Você estava planejando fazer todas as 12 etapas?

Sim.

Eu ia tentar conquistar alguns resultados sólidos, para talvez conseguir uma chance com alguma equipe.

Felizmente, isso aconteceu antes do início da temporada, então foi um timing perfeito.

Foto: John Basher

Você ficou na Carolina do Norte algumas semanas, se preparando com a equipe. Como foi essa preparação?

Foi incrível!

Desde que cheguei, eles foram uma família para mim e tive alguns dos melhores momentos da minha vida.

Construí amizades que são mais do que apenas correr no motocross e isso me faz feliz.

Todo mundo na equipe é uma família e eu amo isso.

A Carolina do Norte é parecida com o lugar onde cresci no Brasil, então passei bons momentos lá.

Eles também têm uma pista de motocross, onde iniciamos os treinos e a preparação.

O traçado é perfeito para treinar. Eu nunca estive em um lugar melhor na minha carreira e mal posso esperar pelo início da temporada.

 

Até agora, como tem sido ser um piloto de fábrica?

É difícil colocar em palavras, para ser honesto.

Tem sido surreal! Fazer parte de uma equipe de fábrica sempre foi um sonho meu e, estar em uma agora, é como se eu estivesse vivendo meu sonho todos os dias.

Foram incríveis três semanas treinando e conhecendo a equipe.

Gostei e apreciei cada dia.

 

Você está animado ou nervoso para a abertura em Hangtown neste sábado? Que tipo de coisas a equipe tem dito a você?

Eu diria mais animado.

Estou tentando não pensar muito nisso e está funcionando bem. Sacrifiquei muitas coisas e trabalhei muito para estar onde estou hoje, então isso faz eu me sentir bem antes da minha estreia profissional.

A equipe só quer que eu vá para as pistas e dispute minhas primeiras corridas profissionais, para adquirir alguma experiência.

Obviamente eles querem que eu conquiste bons resultados, mas às vezes isso leva algumas corridas até que você esteja acostumado a competir.

Mas eu fiz algumas grandes corridas no passado, então estou pronto para ir lá, dar o meu melhor e me divertir com isso.

Estou vivendo o melhor momento da minha vida e mal posso esperar para alinhar no gate neste sábado.

 

Quais são seus objetivos para a temporada? O que você está planejando? Top 20? Top 10?

Eu realmente não sei porque ainda não enfrentei meus adversários na pista.

Só quero começar minha carreira profissional.

Sinto que tenho velocidade para estar no top 10, com certeza.

Darei o meu melhor toda vez que eu estiver na pista.

 

Há mais alguma coisa que você gostaria de acrescentar?

Só quero agradecer aos meus pais, porque vou estar aqui sem eles, e todos os meus amigos no Brasil.

Eles estão me animando.

Todos enlouqueceram quando descobriram que eu havia assinado com a JGR, então estou muito feliz que todos estejam felizes.

Espero poder deixá-los orgulhosos este ano.

É a primeira vez que um piloto brasileiro consegue assinar com uma equipe de fábrica.

Tenho muitos amigos chegando para me ver correr em Hangtown e Glen Helen.

Vai ser uma ótima experiência.

Foto: John Basher