ENTREVISTA: “A paixão por ensinar é a mesma paixão que tenho ao pilotar”, diz Leonardo Lizott

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Leonardo Lizott – Foto: Mau Haas / BRMX

 

Luis Lizott, pai do piloto Leonardo Lizott, disse várias vezes: “eu queria que o Léo tivesse um professor para ensinar ele lá atrás o que ele ensina hoje para essa gurizada”.

Com apenas 24 anos, Leonardo Lizott tem conquistado a admiração e o respeito de alunos de diferentes idades que treinam com ele na sua escola de pilotagem, a Lizott MX School, no Centro de Treinamento Borilli Racing, em Tapejara, Rio Grande do Sul.

O ano começa promissor para o piloto após vitória na MX1 e MX Elite do na abertura do Gaúcho de Motocross, fim de semana passado, em Arvorezinha. Confira o que Lizott tem a dizer.

Conte sobre esse lance que o seu pai sempre fala sobre ter alguém que te ensinasse a pilotar no passado como você ensina a molecada hoje?
Leonardo Lizott: (risos…) é fato, ele sempre comenta isso. Quando iniciei a minha carreira há quase 15 anos, nós não tínhamos a menor noção sobre técnicas de pilotagem. Meu pai sempre amou o esporte e me deu um incentivo enorme. Aliás, faz isso até hoje juntamente com a minha mãe. Porém nós não sabíamos como aplicar isso da maneira correta. Hoje na Lizott MX School nossos alunos já aprendem da maneira certa desde cedo, com segurança. Isso garantirá velocidade e menos acidentes. Imagine você andando desde seis, sete anos da maneira correta. Quando você tiver 15 estará voando e muito mais seguro. Eu infelizmente só fui aprender mais tarde quando ingressei em equipes maiores. E olha, faz diferença.

2017 você venceu o gaúcho na MX2 e neste ano na MX1 já iniciou o ano com vitória. O que podemos esperar do Lizott em 2018?
Lizott: Estamos trabalhando forte para ter um ano tão bom quanto tivemos em 2017. Vencemos na MX2 e na VX2 do Gaúcho, quando liderava com boa vantagem na última prova, minha moto quebrou. Neste ano a Borilli Racing, através do presidente Renato Borilli confiou novamente no meu trabalho e o desafio é vencermos ambos os campeonatos na categoria Pró (MX1, VX1 e Elite). Vamos seguir trabalhando com este foco.

De onde nasceu a inspiração para a criação da Lizott MX School?
Lizott: Tudo começou com dois amigos, o Júlio Botolli e o Douglas Zilio, além do Renato Borilli. Eles queriam que os seus filhos, Luca Botolli e Bernardo Zilio, aprendessem a andar em pistas e melhorassem a pilotagem nas provas regionais de MX e velocross. Da informalidade passamos a um trabalho periódico e constante. Eles foram melhorando a cada dia, a cada treino e aí começaram a vir outros alunos. Não apenas crianças, mas pilotos com idade acima de 20, 30 anos. Queriam melhorar, andar com mais segurança. Foi aí que descobri que a paixão que tenho por ensinar é a mesma ou maior que pilotar. Ver essa galera vencendo, realizando os seus sonhos nesse esporte, me deixa muito, muito feliz mesmo. Agora eu preciso destacar também a visão empreendedora do Renato. O Centro de Treinamento Borilli Racing além de ser um dos melhores do Brasil, é o local que ele construiu para testar os pneus e principalmente, formar novos pilotos. Aí entra a Lizott MX School. Essa é uma missão que ele me deu e tenho a honra de conduzir. A verdade, é que para mim tudo isso é muito gratificante, ou seja, fazer parte da família Borilli.

Como está a adaptação com a 450cc?
Lizott: Em 2016, quando fiz o Brasileiro de Motocross pela Kawasaki, já treinava com uma 450, porém corria de 250. Esse ano optamos por andar só de 450 e está muito boa a adaptação. Os resultados estão vindo, mas o trabalho não para. Temos algumas metas para atingir e seguimos com foco total. Na primeira prova, que foi o Desafio das Estrelas em Ibirubá, no mês passado, ainda estava me adaptando com a moto, sendo cuidadoso em alguns momentos. Agora acredito que já estou mais a vontade com ela na pista.

 

Leonardo Lizott
Lizott no Desafio das Estrelas – Foto: Mau Haas / BRMX