Entrevista Herlings: a liderança e a batalha com TC222

Jeffrey Herlings está revivendo na MXGP seus ótimos dias de MX2 – Foto: Ray Archer

 

Jeffrey Herlings continua na melhor fase de sua carreira desde que estreou na principal categoria do Mundial de Motocross, a MXGP.

No domingo passado, 8 de abril, o holandês da Red Bull KTM venceu o GP de Trentino, na Itália, prova válida pela quarta etapa da temporada 2018.

Foi o 70º GP vencido em sua carreira, assumindo a liderança isolada na classificação (antes estava empatado com seu companheiro de equipe, Tony Cairoli).

Herlings venceu as duas baterias, com duas ótimas largadas, lembrando os seus velhos tempos de MX2.

A equipe do site MotoXAddicts conversou com Herlings logo após as corridas. Confira a tradução da entrevista na íntegra.

 

Trentino é uma das piores pistas do campeonato, não é?
Bem, eu preferiria correr em Lommel. Trentino realmente é uma pista difícil de ultrapassar, muitos pilotos disseram isso. Largar mal torna tudo mais difícil ainda e, além disso, criam-se poucas linhas boas no traçado. Mas se você conseguir uma boa largada, torna-se uma ótima pista para pilotar.

 

E as largadas ruins das primeiras etapas? Hoje você fez as duas melhores largadas de sua carreira na categoria MXGP, correto?
Sim, desde que subi para a MXGP fiz apenas um holeshot, no último GP de 2017. No final do ano passado, mudamos algumas coisas na moto, algumas peças e isso pessoalmente foi melhor para mim. Na verdade, este ano minhas largadas não foram tão ruins, exceto em Redsands.

Na Argentina e em Valkenswaard, foi ok. Só tive uma largada ruim até agora. Na Argentina fiz o holeshot e em Valkenswaard larguei em segundo. O que me prejudicou nessas corridas foi o resultado das classificatórias de sábado, que me deram escolhas ruins de gate no domingo.

Estamos trabalhando nisso e tentando melhorar e sinto que melhoramos neste fim de semana. Quando você faz boas largadas consecutivamente, você adquire confiança, então espero continuar chegando nas melhores posições durante a primeira volta.

 

Na classificatória de sábado houve alguns momentos interessantes entre você e Cairoli. Ele tocou em você na primeira ou na segunda curva, mas você devolveu na curva seguinte. Qual sua opinião sobre isso, porque Tony geralmente não faz essas coisas.
Eu odeio ter de pilotar de maneira suja. O motocross já é um esporte perigoso, então entrar em contato com outros pilotos realmente não é do meu estilo. Tive esse mesmo tipo de incidente com Searle e Ferrandis no passado, e agora é o Tony.

Não é tão ruim como foi com Searle em 2012, mas Tony foi agressivo comigo no sábado e na segunda curva eu o empurrei para longe, mas foi apenas para fazer a ultrapassagem. Não tenho fama de ser um piloto duro nas ultrapassagens, se eu quiser ultrapassar outros pilotos, o faço de forma limpa.

Só quero correr limpo e não prejudicar os outros. Eu entendo que Tony quer defender sua condição de atual campeão, o que é normal. Mas geralmente fazemos disputas limpas e eu o respeito com certeza.

 

Foto: Ray Archer

 

Teve um momento na primeira bateria de domingo que Tony desacelerou numa curva, e parecia que ele queria te derrubar, mas você mudou de traçado e ultrapassou ele. Você se lembra disso?
Sim, mas acho que foi na segunda bateria, na segunda ou na terceira volta. Eu estava muito perto dele e quase tinha ultrapassado. Na volta anterior tentei passar por fora, porque era uma curva que você tinha que começar fazendo por fora e então trazer a moto para o lado de dentro.

Então na volta seguinte ele deve ter pensado que eu iria vir por fora de novo. Depois de ver as imagens, acho que ele esperou eu vir por fora para poder me bloquear, mas eu apenas o segui no mesmo traçado e fiz a curva. Tive um pouco de sorte, mas ele deve ter ficado surpreso.

 

Parece que você está revivendo os velhos tempos da MX2. Sua velocidade é boa demais entre os pilotos da MXGP. Concorda?
Se eu fizer 10 largadas boas, em oito finalizarei a corrida no top 3, então sim, estou revivendo meus bons dias de MX2. Largar na frente te permite ficar no controle da corrida, como aconteceu neste fim de semana, mas não vou subestimar Tony e os outros pilotos da MXGP, porque o nível é muito mais alto que o da MX2.

Sinto que, quando largo bem, posso brigar pela vitória com qualquer piloto, mas Tony, Gajser, Febvre, todos eles são muito rápidos e podem me vencer quando estão nos seus melhores dias.

 

No domingo, 15, teremos o GP de Portugal em Agueda, uma pista que você e ele (Tony) são muito bons. Está ansioso para duelar com Tony novamente?
É uma pista divertida, pouco arenosa, então você tem que escolher as melhores linhas no traçado. Mas ouvi dizer que eles estão tendo muita chuva lá, que está chovendo muito. A previsão é de chuva durante toda a semana, mas esperamos que o tempo mude para melhor. Além disso, não somos só eu e Tony, todos os 40 pilotos que alinham no gate são rápidos.