ENTREVISTA: Fábio “Moranguinho” Santos voa do BMX ao MX para alcançar o sonho de correr o AMA Motocross

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Fabinho Santos no Centro de Treinamento da Yamaha Grupo Geração, em Santa Catarina – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

* Texto atualizado às 17h desta sexta-feira, 30 de outubro

Fábio “Moranguinho” Santos, 19 anos, é um dos expoentes da categoria MX2 no motocross brasileiro em 2015. Com quatro etapas do Brasileiro de Motocross realizadas, o piloto da equipe Yamaha Grupo Geração ocupa a quinta posição na classificação geral e acaba de vencer sua primeira bateria da temporada, durante a quarta etapa, em São José, Santa Catarina. No Arena Cross, está na sexta colocação, poucos pontos atrás do quinto e do quarto colocado – vale lembrar que o piloto começou a temporada com o braço fraturado, e por isso perdeu pontos importantes na primeira etapa.

Nesta temporada, Moranguinho, conquistou o título da Superliga Brasil de Motocross – disputada em etapa única – e foi o representante do Brasil no Motocross das Nações, em Ernée, na França, fazendo aí sua estreia em competições internacionais.

Já estava mais do que na hora do BRMX entrevistar o atleta para saber um pouco mais de sua história. Fabinho é um tanto tímido, fala baixo e muito pouco, mas é super-gente-fina, sabe se expressar e escrever muito bem, e topou responder as perguntas dos repórteres Carol Sarto e Mau Haas por e-mail. Confira como ficou!

 

BRMX: Você começou no BMX assim como muitos pilotos que se destacam no motocross. Conquistou títulos no BMX? O quanto esse esporte te ajuda hoje na moto?
Fabio Santos: Comecei no BMX com cinco anos de idade. Fui campeão paulista, campeão brasileiro, campeão da Copa Brasil, entre outros campeonatos regionais. Participei do Mundial de BMX no Brasil e também participei de provas internacionais no Chile, onde fiquei em primeiro lugar, e na Argentina, onde fiquei em terceiro. Quando migrei ao motocross, já tinha uma base boa em relação às técnicas, agilidade e fôlego, desde então passei a treinar e me dedicar cada vez mais.

BRMX: Quais são teus ídolos no esporte?
Fabio Santos: Há muitos que eu admiro. Ayrton Senna, James “Bubba” Stewart, Eli Tomac, Jeremy Martin, Copper Webb, Valentino Rossi.

BRMX: Conte um pouco da sua vida. Como você começou? Quem te incentivou? Quem são seus pais, eles pilotam moto também?
Fabio Santos: Eu andava de bike, e em uma corrida de BMX na minha cidade – Jarinú, interior de São Paulo – tinha um cara vendendo uma CR 85cc e meu pai me deu de presente de aniversário quando tinha 12 anos. Comecei a brincar na pista de BMX que eu tinha em casa e teve uma corrida de velocross do lado da minha casa. Fui e acabei ganhando. Fiquei muito feliz e pouco depois meu pai comprou uma CRF 150, e o que era pista de BMX em casa, acabou virando de motocross. Comecei a levar mais a sério e meus pais foram quem mais me incentivaram, desde sempre.  Meu pai sempre gostou de moto. Ele brinca às vezes na pista de casa, mas só para se divertir.

BRMX: Este ano você entrou para a Yamaha Grupo Geração. Segue no time em 2016?
Fabio Santos: Estamos apalavrados. Devemos assinar o contrato em breve. Está tudo certo para seguir no time ano que vem.

BRMX: Como se sentiu correndo pela primeira vez fora do país?
Fabio Santos: Foi um sonho realizado ter participado do Nações, a maior prova de motocross do mundo. Foi uma experiência incrível, espero ter a chance de ir mais vezes.

 

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Fabinho no Motocross das Nações, em Ernée, na França – Crédito: Miguel Campano

 

BRMX: Como você avalia seu desempenho no MXoN?
Fabio Santos: Foi incrível, tudo muito diferente. Principalmente a pista, muitos traçados, buracos, cavas, subidas e decidas, nada a ver com as pistas do Brasil. Tive um pouco de problema em relação ao mouse nos pneus, nunca tinha andado com mouse, e pra mim foi difícil porque é bem diferente, principalmente em curvas. Na corrida classificatória, tive uma largada muito ruim, saí em 29º, andei bem mas não me encontrei com a pista, terminando em 18º. Acho que fui bem, fiz uma prova de recuperação em uma corrida onde estão os melhores de cada país, foi uma grande experiência.

BRMX: O que esperar das finais dos campeonatos no Brasil?
Fabio Santos: Última etapa da Copa Brasil de Motocross que aconteceu em São José foi muito boa, com a chuva que deu, ninguém esperava que a pista fosse ficar tão boa quanto ficou. Espero que continue assim, mas está cada vez mais difícil. As datas vêm sendo adiadas e já estamos no final do ano e quase nem corremos. Se não fosse a Copa Brasil, o Campeonato Brasileiro ainda estaria na segunda etapa.

BRMX: Há a possibilidade de correr fora do país da próxima temporada?
Fabio Santos: Houve uma cogitação, algo parecido com o que o Jean Ramos recebeu de proposta, mas não foi possível concretizar.

BRMX: Qual a corrida que foi mais marcante para você?
Fabio Santos: Sem dúvidas foi o Motocross das Nações, foi um grande sonho que realizei, uma grande experiência que tive. Foi a melhor corrida pra mim.

BRMX: Por que você utiliza o numeral 987?
Fabio Santos: Na minha primeira corrida, ia correr com o número 7, mas já tinha um piloto filiado, então me sugeriram 87. Andei com esse número um bom tempo, mas quando subi para a categoria MX2, já havia outro piloto com 87, aí acabei me filiando como 987.

BRMX: Qual o grande sonho, o grande objetivo da carreira?
Fabio Santos: Desde quando assistia corridas pela TV, via o AMA Motocross. Meu grande sonho é ser campeão do AMA MX, estou me dedicando bastante, sei que é muito difícil, mas nada é impossível, posso até não ser campeão, mas um dia chego lá. Se Deus quiser, estou me dedicando para isso.

BRMX: Você também é conhecido pelo apelido “Moranguinho”. Por quê?
Fabio Santos: Quando eu andava de BMX, meus pais eram produtores de morando. Meu amigo Rick, que narrava a maioria das provas de BMX, me chamava de Moranguinho, então desde a época do BMX muitos me conhecem pelo apelido.

 

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Pré-temporada em 2012 na Copa Verão de Motocross – Crédito: Carol Sarto / BRMX

 

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Durante a temporada em 2012 na Copa SP de Motocross – Crédito: Carol Sarto / BRMX

 

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Mudança de categoria em 2013 – Crédito: Carol Sarto / BRMX

 

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Em 2014 na Copa MG de Motocross – Crédito: Mau Haas / BRMX

 

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Comemorando o título da Superliga Brasil de Motocross 2015 – Crédito: Mau Haas / BRMX